quarta-feira, 11 de abril de 2018

ESCUDIGUIM


É um tipo de linguiça esse tal de escudiguim que, na minha família, tem o apelido saboroso de cudiguim.
Era especialidade da minha mãe.
Foi na sexta que encuquei que iria fazer escudiguim igual ao da minha mãe! E ela me incentivou (sinto como certa a minha conexão com ela). Confesso que até me preocupei com a pressa que percebi nesse incentivo! Será que estou com pouco tempo por aqui? Acho que não. Ela ela era mesmo imediatista...
Minha mãe foi uma senhora cozinheira! Meu Deus! Uma simples abobrinha refogada feita por ela era de lamber os beiços. O segredo está em escolher os ingredientes certos, dizia ela. E eu sabia que essa tal linguiça que se cozinha no feijão só presta se for feita com a barriga do porco. Ouvi isso muitas vezes.
No sábado, já acordei com um grilo empurrando-me pro mercado. Mas, só pude ir à tardinha. E não achei a tal barriga de porco.
Passou o domingo, a segunda já estava seguindo seu curso, e eu dei uma cochiladinha, de leve, logo após o almoço. Bem leve. Uns 20 minutos. Acordei sabendo aonde ir: ao mercado, comprar barriga de porco (também conhecida como fraldinha). O açougueiro tinha dito que chegaria na segunda, à tarde.
Comprei logo 4 quilos. E pedi pra separar a pele. Em casa, pus a pele para ferventar em água com sal, até amolecer um pouco e ficar fácil de cortar, em pedacinhos.
Separei a carne e a gordura e piquei tudo. Também em pedaços pequenos. Usei três partes de carne; duas de pele e uma de gordura. Tudo picadinho.
Temperei com sal, cobri e reservei. Deixei sobre a pia, por uma hora, e, então, pus na geladeira. Só peguei, novamente, no outro dia, à tarde.

Sem medo de ser feliz, em contato com o passado, quando, ao lado dela, fazíamos a iguaria, fui retomando os ensinamentos: não pode moer; tem que picar. Nem tente fazer na máquina; tem que empurrar a mistura, no funil, e ir enchendo a tripa, com cuidado...
Na terça, de manhã, descobri que as tripas que eu tinha já eram. Claro! Eram ainda do tempo da minha mãe viva. Pedi, então, ajuda da nora Yanne. Ela comprou um pacotinho com dez metros e trouxe pra mim.
Aqui, abro parênteses para voltar aos meus 8 até 12 anos, quando a minha história registrou minha mãe lidando com capado esquartejado sobre a mesa da cozinha, lá na minha terra natal. Ô saudade! A primeira prazerosa investida pra matar a ansiedade de degustar as gostosuras que, magicamente, sairiam do porco transformado era o suan. Huuummmm E ela ainda fazia pernil assado. E carne de lata, na banha. E costelinha com mandioca... Saudade é palavra insossa pra essa nostalgia do paladar que a memória da criança nunca vai deletar.
Só não gostava de ver minha mãe limpando as tripas. Um espetáculo horroroso! Malcheiroso! De dar engulhos! Depois que ela se livrava do “recheio” (raspando com as costas da faca), ainda lavava muitas vezes. Virava do avesso, lavava; e revirava as tripas, e lavava... Depois, deixava de molho, com bastante limão. Umas boas cinco horas. Escorria a água, salgava bem, punha numa peneira e deixava secar ao sol. De leve. Se passasse do tempo, podia jogar fora, pois, quando fosse fazer a linguiça, apareciam furos; e adeus a todo aquele trabalho...
Pensava cá comigo “nunca que vou fazer isso de lavar e preparar tripas!”.
Pois com a solução do assunto tripa resolvido pela minha norinha, arregacei as mangas, prendi cabelo, respirei fundo e imergi no passado, nos cenários todos do passado, nas cozinhas do nosso convívio, onde a companhia da minha mãe era a garantia que o resultado seria supimpa. Com a confiança de mãos dadas com os ensinamentos, comecei os trabalhos...
Avaliei que não usaria todos os dez metros tripa. Separei um pouco. Lavei pra retirar o sal. Pus de molho em água com limão e reservei.
Retirei a mistura que estava na geladeira, desde o dia anterior, e fui colocando quantidades pequenas dela (modernidade!), no meu processador (liberdade de criação! minha mãe picava miudinho – sem máquina - e pronto).
Bati, de leve, para alguns pedaços ficarem inteiros. Atenta porque precisava que outros resultassem amassados, para promover a compactação fácil da carne, com a pele e a gordura.
Até aqui, só sal, na mistura.
No tempo da minha mãe, ela separava a minha porção (não posso comer alho) e, no resto, carregava a mão nos acréscimos (alho; cebola; cebolinha; salsa; pimenta-do-reino)...
Destaco que só acrescentei cebolinha que a norinha trouxe e processei com a última porção de mistura que bati.
 Mistura pronta, hora de fazer a linguiça.

Confesso que tentei encher com o funil, empurrando com o dedo indicador. Não consegui! Não comprei o funil certo (ainda bem!). Apelei, então, para a máquina elétrica de moer (modernidade 2).


Foi até rápido. Teria sido mais se eu tivesse separado a gordura fibrosa. Ela emperrava a máquina, ao enroscar-se na última peça, já na saída, com a mistura preparadinha para ser recheio delicioso de tripa.
Quase me esquecia de contar que tem um pulo do gato! Pois é, tem! E é o espinho da laranjeira. 

Ao decidir o tamanho de cada linguiça, após amarrar as pontas, precisa fazer furinhos esparsos, na tripa recheada. Pra quê? Para que, na hora de cozinhar, a linguiça permaneça inteira e a tripa não arrebente...
Ficou bonita a danada da linguiça exibida.

Guardei na geladeira.
Hoje foi o dia de testar a iguaria.
Numa panela de pressão, cozinhei feijão.
Na outra, com pouca água e pouco sal, cozinhei a linguiça.

Quando o feijão estava quase cozido (assim que se passaram cinco minutos que a panela com o escudiguim pegou pressão, desliguei e reservei), abri as panelas, e despejei o feijão sobre a linguiça. Restou uma panela, portanto. Ainda deixei mais um tempo, no fogo; o suficiente para que o feijão cozinhasse.
Experimentei o sal.
Pronto!
Foi uma alegria sem tamanho chegar ao término da receita e saborear o escudiguim feito sob a supervisão da memória da minha mãe.

Minha mãe tão linda mora em mim. Seus ensinamentos são meu tesouro. Olho no espelho e pergunto como posso ser assim tão ela... 
E sou só agradecimento.
Preciso contar que ficou maravilhoso?
Quando eu fizer mais, convido você que curtiu e ficou com água na boca, com vontade de fazer parte da festa.




sexta-feira, 28 de abril de 2017

PÃO DE ORÉGANO (ESFIRRAS OU PÃEZINHOS)

Agradar netos é mágica que vó costuma fazer na cozinha.
Ingredientes são manipulados com a responsabilidade de quem sabe que o registro do sabor vai ser feito com pompa e circunstância, com mais apuro que uma foto das boas, das que impactam pela qualidade!
E a esfirra e o pãozinho de hoje foram a nota alta de um dia que teve sol, teve piscina, teve brincadeiras e muito riso e, claro, picuinhas pra chamar a atenção da vovó que ninguém vive sem chamego...
A receita de pão de orégano, depois de trabalhada no amassa-amassa, permitiu duas apresentações criativas: em forma de esfirra; e pão redondinho com recheio.
Vamos à receita!
Em 250 ml de leite morno, pus duas colheres (sopa) de fermento biológico granulado, mexi e reservei.
No liquidificador, fui adicionando os ingredientes: dois ovos; duas colheres (sopa, cheia) de açúcar; uma colher (sopa, cheia) de margarina; meia colher (sopa) de sal; e uma xícara (café) de azeite. Liguei e esperei dois minutos. Desliguei e acrescentei o leite com o fermento e pus pra bater, novamente, mais dois minutos. Despejei o conteúdo do copo do liquidificador sobre três xícaras de farinha de trigo que preparei numa tigela, anteriormente, com duas colheres (sopa, rasa) de orégano.
Aí começou o amassa-amassa. Enquanto incorporava o líquido à farinha, acrescentava, devagar, com colher, mais farinha de trigo. Até chegar ao ponto que a massa se solta das mãos. Mas não fica dura!
Lidar assim com massa tem sido uma terapia maravilhosa, ao longo dos anos que a vida me permite curtir...
Vesti um plástico na tigela e pus no sol, pra massa crescer, rapidamente, assim abafadinha.
Enquanto isso, preparei o recheio do pãozinho.
No copo do liquidificador, queijo coalho em pedaços pequenos; misturado a queijo Minas ralado; meia xícara (café) de azeite; e salsa e cebolinha. Pus pra pulsar, desliguei, dei uma mexidinha... Fiz isso três vezes. Despejei num prato e acrescentei uma colher (sopa) de gergelim. E reservei.
Preparei o recheio da esfirra:
No copo do liquidificador, pus meia cebola descascada e cortada e bati. Acrescentei meia linguiça calabresa picada; queijo coalho em pedaços pequenos; carne moída já cozida (já contei que sempre tenho carne moída pronta); e pus para pulsar... Repeti o pulsar três vezes. E reservei.
A massa dobrou de tamanho. Cortei em dois pedaços. Um pedaço para as esfirras e o outro para os pãezinhos.
Sobre uma superfície, onde espalhei um pouco de farinha de trigo, abri a massa com o rolo e cortei - com um copo de boca larga – pequenas rodelas. Distribuí o recheio e fechei cada uma, dando formato às esfirras. Renderam quarenta apetitosas trouxinhas.
Sobre a mesma superfície, cortei quarenta pedaços de massa e abri, cada um, na palma da mão, acrescentando o recheio, fechando e amassando, com as duas mãos, para dar o formato redondo.
Dispus em assadeiras e levei para assar  em forno aquecido a 200 graus.
Foi bem rapidinho.
Rapidinho também sumiram as gostosuras recheadas de sabores-surpresa que agradam qualquer paladar...

Alguém duvida?


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

DICA N° 12

Desassossego na faxina

Tem coisa mais irritante que pano-de-chão rebelde?
Em tempos de rodo leve, todo metido a modernoso, com acabamento em alumínio, acabou aquela história de jogar o pano sobre o rodo e deslizar com ele pelo chão, sem sobressaltos!
Qual!
Uma esfregada pra lá e, na vinda, o pano já se solta de um lado e toma abaixar para, novamente, dispor o pano sobre o rodo e o pano teimar em sair da maldita posição onde deveria se manter até que você resolvesse tirar... e não adianta xingar, nem pedir ajuda pros santos...
Pois não é que a minha raiva fez minha sabedoria aflorar?
Comprei dois triquetriques daqueles que prendem papéis (tá na foto), colei-os (com Bic bond) naquela parte do rodo que deveria segurar – mas não segura – o pano e... tchan! deu certo!
É importante colar, também, na sequência, as abinhas que serviam para abrir e fechar o dispositivo segurador de papel, pois elas insistem em cair e, cá pra nós, elas armadinhas pra cima ajudam um bocado a aumentar a eficiência dos triquetriques na hora do vamos ver contra a sujeira do chão.

Que aí ficou animad@ a limpar a casa?


DICA N° 11

Adeus futum!

Sabe aquele desastre que você não consegue esquecer, por causa do futum, depois que você bobeou e o bichinho fez xixi no sofá, ou num colchão, ou até mesmo numa almofada, ou tapete que você tinha acabado de retirar do varal e colocado pra servir de tapete no chão, mas o animal entendeu que era o “aqui pipi” da casa?
Tem jeito de esquecer!
Simples assim, no ar...
Quem ensinou – já fiz e deu muito certo! – foi minha amiga Vera Suguri. Quando me ensinou, o problema era netinho em idade de aprender a ficar sem fraldas e a usar o troninho...
É só jogar álcool, sem dó, em cima do estrago.
E deixar secar, naturalmente!



quinta-feira, 19 de maio de 2016

BATATA-DOCE FRITA/COZIDA


Tem vezes que mais que uma boa conversa ao pé do ouvido, uma mordida numa rodela de batata-doce tenra e docinha é tão revigorante que dispensa companhia...
Ainda mais se for companhia do tipo que se declara amante do prato simples e tão saboroso! A concorrência pode vir a ser desleal.
Também porque sobrar para depois, pra hora do cafezinho, é grande pedida.
E também porque tem dias que o lado egoísta aflora e dividir chega a ser doído, né?
Pois este é assim, definitivamente, um prato que induz a pecar!
Por egoísmo e gula!
Comprei duas batatas de formato parecido e, enquanto minha panela wok esquentava o conteúdo de meia lata de óleo de soja e, bem do lado, em outra chama, a canequinha esquentava duas xícaras (café) de água, descasquei as batatas e cortei rodelas que se equivalem em tamanho para o cozimento ficar bem uniforme.
Antes que o óleo ficasse quente, quente assim de estar no ponto de espirrar líquido e esfumaçar o ambiente quando em contato com a batata, dispus as rodelas lá nele, arrumadinhas na frigideira invocada... Em seguida, despejei, cuidadosamente, a água bem quente.



É preciso cuidar para que as batatas-doces (o plural também pode ser batatas-doce) fiquem mergulhadas no óleo com água. Se precisar, é só adicionar mais água.
Pus a tampa e fui cuidar de outros pratos. De vez em quando, dava uma olhadinha, pois, conforme a água vai cozendo a batata, também vai secando, dando lugar ao óleo que começa, então, a fazer o papel principal no processo.
Quando percebi que o óleo se sobrepunha à água ainda aparente dentro da minha wok, retirei a tampa e deixei fritar. 


Que experiência agradável essa de ver as rodelas tomando a cor dourada do ponto de retirá-las, dispondo-as sobre guardanapos de papel que vão absorver o óleo excedente. Procedimento perfeito para deixá-las sequinhas e irresistíveis...















Prato ideal para fazer naqueles dias que se tem certeza que não vão aparecer visitas... rsrsr
Mas, se aparecerem, os elogios e os sorrisos vão dar alento e energia pra não ter preguiça de repetir todo o procedimento e voltar a oferecer o prato delicioso, na próxima refeição...      



Pois aprendi nova técnica de fritar essas danadinhas.
Em vez do trabalho de calcular quantidade de água, quantidade de óleo, hora certa de juntar água e óleo... Aff! um novo jeito fácil e rápido brotou magicamente: com a ajuda do micro-ondas!
Pois lavei duas batatas-doces e enrolei, cada uma, com dois guardanapos de papel toalha. Depois, umedeci os papéis, coloquei as duas batatas em um prato refratário e levei-o ao micro-ondas, por cinco minutos.
Depois que esfriaram, descasquei as batatas e cortei as rodelas.
Em seguida, fritei essas rodelas em óleo quente, na quantidade que deu para cobri-las.
UAU!
Ficou muito mais fácil!
O único defeito é que quase todo dia tem batata-doce frita nesta casa...




quarta-feira, 6 de abril de 2016

SOPA COM SABOR DE SAUDADE


Pelo celular, minha irmã ditou, lá do hospital, a última receita.
Minha mãe tinha pedido uma sopa.
Era pouco mais de meio-dia; 17 de abril de 2016.
Naquele dia, minha mãe completava 76 dias de sofrimento, proveniente de uma queda. 
Já se alimentava mal havia bastante tempo. O que ela pedia, eu fazia e levava para o hospital. 
O pedido do dia: uma sopa de tomate. 
Duas xícaras (chá) de feijão recém-cozido, temperado, e em fogo baixo. A esse feijão acrescentei um tomate madurinho partido em cruz e deixei cozinhar.
O tomate amoleceu, desliguei o fogo e levei o conteúdo para o liquidificador. Depois de bater por um minutinho, coei e despejei, na mesma panela, e levei, novamente, ao fogo. 
Acrescentei três punhadinhos de macarrão de sopa, aquele de argolinhas. Mexi, enquanto observava se a água seria suficiente para resultar numa sopa nem rala, nem espessa demais... Pus mais água. Pus mais sal. Pouco antes de desligar, cortei  o equivalente a duas colheres (sopa, rasa) de cebola batidinha (não muito fina), e juntei à sopa. Não deixei cozinhar muito e desliguei. 
Não era pra acrescentar carne.
Experimentei o sal e pus mais uma pitadinha. Minha irmã tinha ditado a receita e desligado. Em seguida, passou mensagem. E escreveu, em caixa-alta: PÕE SAL!
Era minha mãe reforçando que queria sentir o gosto do sal...
Às 15 horas, meu pai e eu chegaríamos ao hospital e ela comeria duas colheradas, na marra, e viraria o rosto pro lado, como a dizer: "Você não fez do jeito que pedi!"
Tadinha! Estava sem paladar...
Só que não fomos! Um acontecimento inesperado nos tirou do rumo...
Por volta de meio-dia e meia, chegaram quatro homens, quatro assaltantes, e levaram, da minha casa, objetos do nosso conforto e lazer; o nosso sossego; e a oportunidade de passar a última tarde da vida da minha mãe ao lado dela.
Porque ela faleceu nesse mesmo dia, faltando dois minutos pra meia-noite...
Meu pai e eu não fomos, portanto, passar a tarde ao lado da minha mãe.
Minha filha levou a sopa, mas minha mãe nem a experimentou, porque demorou pra chegar. E ela havia piorado muito!
Tive o privilégio de contar com a minha mãe por 65 anos, 3 meses e 24 dias da minha vida. Com ela, aprendi a ser quem sou. Tinha que ser de ensinamento a sua última comunicação (indireta) comigo. Sem fôlego, deve ter demorado uns dez minutos pra ditar a receita que minha irmã me passou.
Ela adorava cozinhar!
Tinha um cheiro convidativo e um sabor especial a comida que minha mãe fazia!
Quando eu estiver triste de não ter jeito, vou pra cozinha fazer algum prato que aprendi com ela, e vou sentir o alento da presença marcante dela na minha vida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

DINDINS DE AMENDOIM


Torrei meio quilo de amendoim, no forno, a 180 graus, por oito minutos. Esperei esfriar, esfreguei para soltar as casquinhas e fui para a área externa para ficar mais fácil me livrar delas. Coloquei os amendoins numa peneira e, enquanto os jogava levemente para cima, o vento se encarregava de levar as indesejadas casquinhas.... Os amendoins ficaram limpinhos. Coloquei-os no copo do liquidificador e reservei...
Numa panelinha, coloquei dois copos de leite e três colheres (sopa) de maisena, bem dissolvida nesse leite. Liguei o fogo e mexi o tempo todo para não empelotar. Assim que endureceu, mexi mais um pouquinho e acrescentei mais um copo de leite antes de desligar o fogo. Despejei o conteúdo no liquidificador. E deixei bater por três minutos.
Com a ajuda de uma jarra, acrescentei, aos poucos, mais um litro de leite (fui misturando e dividindo o líquido entre o copo do liquidificador e a jarra); o conteúdo de uma lata de leite condensado e três xícaras (chá) de açúcar. E deixei bater mais para dissolver o açúcar. Ficou pronto o conteúdo delicioso dos saquinhos que abri, enchi (com a ajuda de um funil) e amarrei, antes de pôr no freezer. Deu 33 dindins.

O bom é que nem todos gostam de amendoins... Só uma norinha que é fã...
Em 84, já no início do mês de dezembro, nas minhas atribulações entre trabalho e casa, já morando na chácara, subia pela estrada e via, a minha direita, uma plantação com folhas de um verde-claro diferente dos cultivares que conhecia; mais intenso e bem brilhante... Quando voltava, observava aquele tapete maravilhoso, à esquerda, e ficava encucada, tentando adivinhar o que estava crescendo ali...
No dia que me lembrei de perguntar, ouvi que era surpresa.
Já de férias, teve um dia que meu pai me pediu para levá-lo de carro até a porteira (naquele tempo, tinha uma porteira na entrada da chácara) e eu fui e tive mesmo a minha surpresa que foi enorme:
- Você não disse que tinha muita vontade de ver uma plantação de amendoins? Pois taí!
Que coisa linda! A natureza é a mãe da criatividade! Aqueles pequenos arbustos carregadinhos daquelas caixinhas (muito metidas a besta!) bem torneadinhas me deixaram impactada!
Pois meu pai, com a ajuda de um peão, deu-se ao trabalho de cultivar uma roça de um alqueire de pés de amendoim, para me ver ter aquele momento sublime.
Pena que não fotografei!
Mas busquei uma foto no Google (https://www.google.com.br/search?q=planta=plantacao+de+amendoim) e posto aqui para ilustrar.

Essa pessoa boníssima e feliz - que Deus me presenteou como pai -, sabe que o segredo da felicidade consiste em doar-se... Foi o que fez ao longo da sua vida que está perto de marcar 90 anos. Confessou-me que se sentiu muito gratificado vendo a minha alegria. E os olhinhos do meu pai brilharam quando me disse:
- Meu pai também plantou um punhadinho de pés de amendoim pra mim, quando eu era pequeno! A terrinha dele era só um pedacinho; não dava mesmo pra plantar muito...


NOVIDADE:

Minha mais nova ferramenta para encher saquinho de dindin. Finalmente! Uma maravilha! Agora, meu trabalho de avó paparicadora de netos devoradores de dindin ficou mais fácil.