sábado, 11 de janeiro de 2025

 Bolo de fubá com sabor de nostalgia 


A tarde do dia 26 terminava chuvosa e triste.

Mais um Natal, o de 2024, foi vivido. E, revisitar outros anos em companhia daqueles que me deram a vida foi o caminho natural dos pensamentos.

Nostalgia pede bolo.

Resolvi fazer um, mas teve de ser de fubá.

Porque, lá na infância, na padaria dos meus pais, o bolo fofinho (bolo fofinho é pleonasmo?) que era feito na forma (forma, palavra que remete à vasilha; a palavra tinha acento circunflexo, antes da reforma ortográfica de 71), de pudim me veio ao paladar carente de afago.

Pus 4 ovos no meu liquidificador, acrescentei uma xícara (chá) de óleo (no vinco) e uma cheia de açúcar.

Deixei bater.

Espremi quatro laranjas e deu uma xícara de suco: despejei no copo do liquidificador.

Em uma pirex redonda, medi uma xícara de fubá daquele moído bem fininho e uma de farinha de trigo bem cheia.

Quando desliguei o liquidificador, despejei o conteúdo sobre as farinhas e mexi.

Porque um dos perfumes culinários que mais mexem comigo é a baunilha, juntei meia colher de chá do licor à massa. Não podia faltar, claro.

Massa homogênea, chegou a hora de adicionar uma colher (sopa, rasa) de fermento químico em pó, mexendo suavemente e, então, só faltou despejar na forma untada; aquela redonda com aquele obstáculo no meio que, ao desinformar, dá um formato de escultura de vulcão.

Untar forma todo mundo sabe, né?

Assar bolo todo mundo sabe, né?

Putz!

O sol se foi.

A tarde parece que foi única por ter dado tudo tão certo!

É assim que constato e é assim que me sinto plena, como diz a neta Clarisse.

Porque também fiz uma garrafa térmica cheia de chá de capim santo colhido do meu quintal!

Sem açúcar, claro!

Resultado certeiro para alcançar a tal plenitude, depois de beber chá duas vezes, enquanto comia duas fatias generosas do bolo. E ainda me dei o direito de molhar com calda ainda quente - de cerejas que sobraram da mesa de frutas do Natal - e eu não deixaria desperdiçar sem preservá-las para dias futuros.

Meus pais aguerridos, de tão grata lembrança, continuam presentes em tudo que faço.

Isso se chama fé!

Foi o que os moveu e motivou.

É o que me mantém poderosa!

Sei que sou privilegiada e o bolo me deixou com a sensação boa de ser mestre no meu domínio…

Está servida, pessoa querida?