Bolo de fubá com sabor de nostalgia
A tarde do dia 26 terminava chuvosa e triste.
Mais um Natal, o de 2024, foi vivido. E, revisitar outros anos em companhia daqueles que me deram a vida foi o caminho natural dos pensamentos.
Nostalgia pede bolo.
Resolvi fazer um, mas teve de ser de fubá.
Porque, lá na infância, na padaria dos meus pais, o bolo fofinho (bolo fofinho é pleonasmo?) que era feito na forma (forma, palavra que remete à vasilha; a palavra tinha acento circunflexo, antes da reforma ortográfica de 71), de pudim me veio ao paladar carente de afago.
Pus 4 ovos no meu liquidificador, acrescentei uma xícara (chá) de óleo (no vinco) e uma cheia de açúcar.
Deixei bater.
Espremi quatro laranjas e deu uma xícara de suco: despejei no copo do liquidificador.
Em uma pirex redonda, medi uma xícara de fubá daquele moído bem fininho e uma de farinha de trigo bem cheia.
Quando desliguei o liquidificador, despejei o conteúdo sobre as farinhas e mexi.
Porque um dos perfumes culinários que mais mexem comigo é a baunilha, juntei meia colher de chá do licor à massa. Não podia faltar, claro.
Massa homogênea, chegou a hora de adicionar uma colher (sopa, rasa) de fermento químico em pó, mexendo suavemente e, então, só faltou despejar na forma untada; aquela redonda com aquele obstáculo no meio que, ao desinformar, dá um formato de escultura de vulcão.
Untar forma todo mundo sabe, né?
Assar bolo todo mundo sabe, né?
Putz!
O sol se foi.
A tarde parece que foi única por ter dado tudo tão certo!
É assim que constato e é assim que me sinto plena, como diz a neta Clarisse.
Porque também fiz uma garrafa térmica cheia de chá de capim santo colhido do meu quintal!
Sem açúcar, claro!
Resultado certeiro para alcançar a tal plenitude, depois de beber chá duas vezes, enquanto comia duas fatias generosas do bolo. E ainda me dei o direito de molhar com calda ainda quente - de cerejas que sobraram da mesa de frutas do Natal - e eu não deixaria desperdiçar sem preservá-las para dias futuros.
Meus pais aguerridos, de tão grata lembrança, continuam presentes em tudo que faço.
Isso se chama fé!
Foi o que os moveu e motivou.
É o que me mantém poderosa!
Sei que sou privilegiada e o bolo me deixou com a sensação boa de ser mestre no meu domínio…
Está servida, pessoa querida?