segunda-feira, 7 de novembro de 2011

SOBORÔ DE TILÁPIA

Ontem, fiz filé de tilápia regado com margarina e ervas finas. Pra mim, tem de ser aquele que vem em pacotinho azul, ou melhor, quase todo azul. Tem saquinho que vem com quatrocentos gramas e tem a opção de saquinho com um quilo. Fiz dois quilos! Além de um frango caipira saradão... Minha turminha, graças a Deus, é boa de garfo! Primeiramente, temperei os filés. Eles vêm em postas, são duas partes emendadas e optei por deixá-las assim, grandonas. Temperei-as com uma colher (sopa) bem cheia do meu tempero e deixei descansar por uns quarenta minutos. Grelhei-as, duas a duas na minha panela wok, recém adquirida, (ando em lua-de-mel com a danadinha que quebra todos os galhos, na cozinha, e é facílima de lavar!). Assim que grelhei todas as postas, coloquei-as numa travessa e, por cima, fui espalhando um preparado, que fiz, enquanto grelhava as postas de tilápia: usei três colheres (sopa, rasa) de margarina (detesto manteiga, mas fazer a substituição é opção perfeita para quem a aprecia) que derreti, no fogo, em uma frigideira onde também coloquei uma colher (sopa, bem rasa) do meu tempero; uma cebola (média), picada em rodelas fininhas; suco de um limão cravo; o conteúdo de um vidrinho de alcaparras (sem o caldo); uma colher (café, rasa), de açúcar e uma colher (sopa) de ervas finas. Só e apenasmente isso! E ficou uma delícia! Aí vem a melhor parte: sobrou! E é aqui que entra minha linda e divertida amiga, a Rosa Maria: “Teve sobra, diz ela, faça comida japonesa, faça SOBORÔ!” E fiz! Fiz Soborô de Tilápia! E descobri que tinha jeito de ficar mais gostoso ainda! Primeiramente, cortei em pedaços menores as postas de filé e reservei-os. Aí fiz a massa de empanado, aquela que postei há tempos, que bate no liquidificador e leva maisena e clara de ovo e farinha de trigo... E despejei essa massa de empanado sobre os pedaços de tilápia, mexi levemente, e, com uma colher (sopa), pegava os bocados com massa e fritava em óleo quente... Com o tal molho agridoce, os bolinhos ficam de saborear e agradecer e agradecer e saborear... Sou só eu, ou fritura é mesmo um dos jeitos mais saborosos pra se comer com gosto e ... culpa? São muitas as opções na hora de cozinhar, mas o que vem frito tem um quê... Infelizmente! Porque faz muito mal. Tenho sempre o cuidado de servir abacaxi em rodelas, quando opto por frituras. Tenho pra mim que o abacaxi minimiza o estrago. Pode não adiantar muito, mas a minha consciência fica tranquila... E, com a consciência tranquila, pode-se pensar e partir pra outra receita... Porque as possibilidades são inesgotáveis, graças a Deus!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ARROZ PREGUIÇOSO

Esta receita fez meus domingos mais fáceis, por muitos anos... Aprendi a fazer arroz assim com a Regina, a secretária da escola onde lecionei e onde trocamos muitas receitas, durante mais de sete anos. Enquanto eu criava meus quatro filhos, acompanhei as três gravidezes dela. Uma batalhadora, essa mocinha feliz e guerreira! Ela é uma pessoa que espalha alegria por onde passa. Sempre que lavo o arroz pra fazer esta receita, lembro-me dela, contando que tinha aprendido a fazer um arroz de forno que, antes de ir ao forno, parecia uma lavagem, de tão estranha que fica a aparência do prato antes de ficar pronto. Mãos à obra: depois de lavar duas xícaras (chá) de arroz cru e de colocar numa forma refratária untada com margarina, acrescentei o conteúdo de uma lata de milho (com a água); um saquinho de ervilha (de trezentos gramas) congelada; meia xícara (café) de óleo; uma xícara (chá) de presunto picado em cubinhos; duas colheres (sopa) de extrato de tomate; duzentos gramas de queijo ralado (pus o queijo Minas mesmo); quinze azeitonas (sem caroço); quatro xícaras (chá) de água e uma colher (sopa, cheia) do meu tempero e levei ao forno, previamente aquecido a cento e oitenta graus. Cinquenta minutos depois, servi o arroz saboroso, acompanhado de um frango assado que trouxeram pronto, uma salade de alface (temperada com sal, azeite e suco de limão) e pequi refogado. Em tempo de pequi, toda receita salgada merece ser acompanhada pelo fruto de cheiro invasivo que não aceita meio termo: é adorado, ou detestado! Saboreei meu almoço, com o coração leve, por ter me dedicado a cozinhar acompanhada das lembranças maravilhosas do tempo que a Regina e eu estivemos lado a lado, construindo o futuro das nossas famílias e dos alunos que frequentavam o Centro de Ensino 05 de Taguatinga. Ela é vizinha da minha mãe. De vez em quando eu a vejo passar, sempre apressada, e só trocamos sorrisos e cumprimentos. Nunca nos visitamos. Somos personagens amigas, só se o cenário for um ambiente neutro? Partilhamos todos os truques que sabíamos para fazer nossas cozinhas funcionarem a toque de caixa... E deu certo, pois ela também tem filhos fortes e saudáveis, assim como os meus...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CALCINHA DE NÁILON

Nos anos sessenta, as festinhas eram praticamente diárias, variando as casas, e sempre com muita interação e harmonia. Era meu tempo de mocinha, na cidadezinha pacata, no interior de São Paulo. Cada um levava uma coisinha pra beliscar, pra beber. Não era disseminada a cultura do refri, como nos dias de hoje. Nem de bebidas como vinho e cerveja. Em meses frios, era permitido o quentão, bem fraquinho. Geralmente, essas festas começavam às vinte e acabavam às vinte e duas horas. Dançava-se o tuiste e o roquenrol.. Sem intromissão dos pais que, claro, ficavam de olho. Uma das minhas bebidas prediletas era a calcinha de náilon. Escrevíamos com y, porque era chique. Esta receita foi contribuição da D. Mireta, uma querida professora que trabalhava comigo na biblioteca do Centrão, em Taguatinga, nos anos oitenta. A minha receita era mais simples. Preferi a dela que acrescenta groselha. Pra matar a saudade, ouvindo a Cely Campelo cantar Lacinhos cor-de-rosa, saboreei a calcinha de náilon feita assim, no liquidificador, tudo junto, batido rapidinho, só pra incorporar: o leite condensado de uma latinha, a mesma medida de pinga, a mesma medida (duas vezes) de guaraná e a mesma medida de groselha. Sem esquecer as pedrinhas de gelo! Ô gostosura! Tomara que meu fígado não reclame! O que faz bem ao coração não devia maltratar o fígado!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

SAGU


Que delícia! Gostinho de infância! A vida não precisa ser só doçura, embora sempre seja importante insistir pra manter doces os momentos... Agradável lembrança essa de fazer sagu. É o tipo de sobremesa que me afaga, como se eu recebesse um carinho. Quem não gosta de mimo? Em uma vasilha de vidro, pus as bolinhas de sagu de molho. Bastante água, pois dobram de volume. Não compro a caixinha semi-pronta, tipo kit, com sabor. Compro o saquinho transparente, de bolinhas brancas. Precisei esperar três horas, para ver o resultado do molho, e escorri toda a água, com a ajuda de uma peneira. Despejei o sagu na panela e acrescentei quatro xícaras (chá) de açúcar. Em uma caneca, mantive água bem quente, para acrescentar ao doce, devagar e sempre, enfrentando uma luta constante para que as bolinhas, todas elas, sem exceção, ficassem transparentes. Devo ter acrescentado uns três litros de água, além de outra xícara de açúcar. Foram mais de cinquenta minutos, mexendo, adicionando água, experimentando o açúcar e, por fim, quando percebi que já estava quase terminada a tarefa de eliminar o branco das bolinhas, acrescentei o conteúdo de uma garrafa de vinho tinto suave de mesa. Feliz da vida porque, antes, salvei (sorrateiramente, escondida de mim mesma!) meio copo do vinho, que bebi, em minha homenagem (experimentei, pra ter a certeza de que a bebida não estava com alguma variação heheh...). Ainda mexi por uns bons trinta minutos. Por fim, desliguei o fogo e dividi o doce em taças. Assim que ficou em temperatura ambiente, levei-as à geladeira. A partir daí vem à tona a minha personalidade muquirana: vigio quem abre a geladeira, quem se serve de sagu, quem deixa sobra na taça, quem saboreia, quem come sem saborear e não merece ganhar outra taça... Definitivamente, uma delícia que faz a vida ter gosto de festa!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

BOLOS CONFEITADOS

Tenho uma cunhada que vale por dez! Tudo ela sabe fazer, quando o assunto é cozinha. Mãos mágicas, amor pelo que faz, prazer em agradar a todos... são tantas as razões que a movem que nem caberiam aqui. Mas, o que se percebe que ela gosta de fazer mais, mesmo, é bolo confeitado. Fez curso, aprendeu técnicas que só reforçaram o gosto dela por essa arte, e só não pratica mais porque anda muito ocupada, curtindo netos. No aniversário do meu irmão, dia primeiro de julho, próximo passado, ela confeitou este bolo:

Esse bolo (grande em importância, porque carrega um símbolo importante de brasilidade heheheh) recebeu altos elogios, unânimes, enfatizando que a artista se superou no sabor. Recheio de ameixa hummmmm. Resolvi postar aqui minha homenagem à minha cunhada Juanita e divulgar que os bolos dela são tudo de bom. Só temos a agradecer tantas e tantas festas e vezes em que ela nos propiciou saborear as guloseimas que ela prepara com tanto apuro e carinho. Em destaque, na minha memória (visual e gustativa) saudosa, o bolo do aniversário de oitenta anos do meu pai. Um livro: a Bíblia. Infelizmente, não teve uma foto que destacasse esse bolo e fizesse jus à lembrança que temos dele. Tanto em terrmos de arte, quanto em sabor... Deus lhe dê, Juanita, muitos mais motivos pra festejar, com o empenho e a gratidão que você sempre dedicou à vida, tornando tudo mais valioso!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CANELINHA CROCANTE, A ROSQUINHA PERFEITA


Em tempo de inverno, pra acompanhar aquele chazinho fumegante, essa rosquinha é nota dez! Facilíssima de fazer... A massa é aquela, universalmente utilizada, que se pode utilizar tanto com recheio salgado quanto doce. Se for recheio salgado, é só diminuir o açúcar da massa pela metade. Coloquei duas colheres (sopa) bem cheias, de margarina, numa panelinha, acrescentei meia xícara (chá) de leite e levei-a ao fogo, esperei esquentar bem e despejei o conteúdo no copo do liquidificador, com o outra metade da xícara de leite, mais quatro colheres (sopa) de açúcar, uma pitadinha de sal e dois tabletinhos de fermento biológico. Liguei o liquidificador e esperei bater um minutinho pra adicionar mais uma xícara de leite e aí pus pra bater mais um pouquinho. Despejei essa mistura sobre quatro xícaras (chá) de farinha de trigo que eu havia, previamente, colocado dentro de uma bacia de alumínio. Amassei bem e precisei acrescentar uma xícara de farinha de trigo, pra dar o ponto de abrir e enrolar a massa. Deixei-a descansar por quarenta minutos e dividi-a em cinco partes. Com o rolo, abri cada parte, bem fininha, no formato retangular, e espalhei margarina (uma colher em cada parte), mais açúcar (três colheres de sopa) e canela (uma colher, bem rasa, de sopa) e enrolei como rocambole bem fininho. Então, cortei tirinhas, arrumei –as em forma untada e assei em forno pré-aquecido, a duzentos graus. Saber que se tem acesso a delícias assim significa entender que a vida sempre merece comemoração. Essa rosquinha faz parte das nossas boas lembranças e serve de elo para manter as pessoas queridas enlaçadas pelo sabor, pelo gostoso cheiro de canela, e pela alegria de compartilhar bons momentos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SALADA DE JILÓ

No processador, lâmina fina, ralei trezentos gramas de jiló e temperei com duas colheres (sopa) de caldo de limão e meia colher (chá) de sal. Mexi bem e ... pronto ... o próximo passo é saborear... É inacreditável o tanto que é saboroso! Dependendo do dia e do tanto que me sinto enfastiada, meu prato, no almoço, só me oferece arroz e salada de jiló. E como até perder a pose! No entanto, passei a vida sem querer nem experimentar. Até que, em uma viagem para Barra do Garças, em uma churrascaria à beira da estrada, senti vontde de comer conserva de jiló... e adorei. Uma omelete de jiló também faz sucesso... Assim, feito salada, virou meu jeito favorito.

TORRADAS COM SABOR

Cortei oito pães ‘dormidos’ em rodelas não muito finas e passei-as, levemente, por uma mistura (molhei apenas um dos lados) que fiz, com antecedência: uma xícara (café) de azeite de oliva, duas colheres (sopa, cheia) de margarina derretida, duas colheres (sopa) de molho de pimenta, uma colher (sopa) de orégano e uma colher (café) do meu tempero (quem gosta, acrescenta molho de alho). A seguir, dispus as fatias em assadeira, ‘em pé’, uma apoiada na outra, de maneira que o lado que passei pela mistura encontre a parte seca da outra rodela. E levei pra tostar, em forno pré-aquecido, a duzentos graus, por dez minutos. Essas torradas são saboroso acompanhamento.

OMELETE DE QUEIJO

Dando sequência a minha pretensão de atrair o iniciante na arte de satisfazer o estômago, segue uma receita simples...

OMELETE DE QUEIJO

Quebrei três ovos, mexi bem e acrescentei uma pitadinha de sal. Mexi mais e despejei na frigideira pré-aquecida, contendo meia colher (sopa) de óleo de soja, meia colher (sopa) de margarina e meia cebola em tirinhas. Espalhei os ovos batidos, apenas movendo a frigideira. Assim que percebi que já estava bem frito de um lado, virei a omelete, para fritar o outro lado, e dispus três fatias de queijo prato sobre metade da omelete, dobrando, em seguida, a outra metade sobre o queijo. Omelete, aqui em casa, é feita para mais de uma pessoa. Porque se for um agrado individual, a pedida é um ovo frito, no capricho. Coisa simples de fazer, que nos faz pensar que a vida pode ser mais fácil, desde que nós a simplifiquemos...

SUGESTÃO DE CARDÁPIO SEMANAL

segunda-feira
arroz, feijão, bife à milanesa, abobrinha refogada, salada de alface, farofa de cenoura, queijo frito
terça-feira
arroz, feijão, chuchu refogado, banana marmelo frita, lombo fingido, salada de couve-flor, purê de batata
quarta-feira
arroz, feijão, empanado de frango, quibebe de mandioca, farofa de alho, salada de repolho e tomate, omelete de queijo
quinta-feira
arroz, feijão, carne (músculo) cozida, batatinhas nevadas, torradas com sabor, salada de couve, pepino no shoyu
sexta-feira
arroz, feijão, peixada ao sugo, purê de batatinha, milho verde refogado, salada de couve, molho de ovo
sábado
arroz, feijão, fricassê de frango, salada de jiló, farofinha de cuscus, salada de tomate, curau (angu) de milho verde

sábado, 7 de maio de 2011

CASCUDO

Misturei um copo (americano) de polvilho doce (o azedo serve do mesmo jeito) e um de fubá de canjica. Ganhei esta receita da minha concunhada, a Altamira, que é quitandeira de mão cheia. Tem um probleminha na sua execução: só presta fazer com fubá de canjica e trata-se de um ingrediente difícil de achar... É um fubá especial, bem fininho. Para fazê-lo, o milho é moído num sistema que utiliza pedras em atrito e os grãos são esmagados entre essas pedras. Vira um pozinho muito fino, de agradável toque (lembra a textura da maisena). São duas as receitas que faço com esse fubá (a outra é uma rosquinha maravilhosa chamada sequilho). Sempre que o tenho, uso logo, pois ele estraga fácil. E tem que ser conservado na geladeira. Ô fubazinho exibido! Casas que vendem produtos de roça costumam tê-lo. Também já o encontrei em feira. Acrescentei um copo (menos dois dedos) de óleo frio e mexi. Aí, amoleci com três ovos grandes e amassei com duas colheres (sopa) de açúcar e uma (de café) de sal. Passei a amassar com as mãos, bastantes vezes, pra eliminar o cheiro de ovo. A massa estava meio dura e é preciso fazê-la mais mole ... acrescentei dois ovos. Ficou no ponto que exige a mão untada pra enrolar. Enrolei e pus pra assar em forno pré-aquecido, bem quente mesmo, a duzentos e cinquenta graus. Enquanto esperava assar, aproveitei pra dar uma ajeitada na cozinha, tentando melhorar um pouquinho o aspecto de casa da mãe Joana que toma conta do pedaço... Ando entediada com arrumações! Será que é por ser só eu a arrumar e um tanto de ‘desajudantes’ a bagunçar? É casa de avó! Tudo pode! Assim que a primeira assadeira de cascudo ficou pronta, experimentei, com muito empenho, três deles, antes de concluir que ficaram, sim, dignos da dona da receita. Ficaram no capricho: gostosos, leves e crocantes! Para ficar perfeito, servi-me de um suquinho de abacaxi, bem geladinho e relaxei... Quem nasceu pra gata borralheira e não é personagem de conto de fadas, tem mais é que desempenhar seu papel a contento ... sem esquecer que também é filha de Deus! Trabalhar, sim! Relaxar e saborear, sempre!
04 de maio de 2009

sábado, 23 de abril de 2011

MILHO VERDE REFOGADO

Taí uma receita simples que oferece resultado maravilhoso! Tem gosto de infância em tempo de férias! Porque sou do tempo quando colheita de milho verde dependia de chuva; e férias escolares começavam dia primeiro de dezembro. Nosso quintal tinha manga, uva, laranja, goiaba e caju. E o quintal do lado, da casa do meu avô, tinha milho em ponto de colheita e promessas de gostosuras. Hoje, basta querer que se encontra milho verde pronto pra ser consumido. Mas, o gosto não é tão presente e marcante quanto o do milho que se colhe na hora. Para que o resultado seja agradável, é preciso ter cuidado pra não comprar milho embalado há muitos dias. Costumo furar, com o dedo indicador, o plástico daquelas bandejinhas que acondicionam as espigas descascadas e cheiro pra sentir se já está começando a passar do ponto de aceitável.
Apesar de morar em chácara onde se planta couve-flor, tomate, abobrinha, repolho... não tenho o privilégio de poder ter milho verde... então, compro... fazer o quê?
Escolhi dez espigas de milho que cortei (quanto mais molinho, melhor) com faca afiada, longe do sabugo e, ao final, raspei o que ficou (se cortar rente ao sabugo, ao mastigar, dá sensação desagradável de duro e o gostoso é o milho que se mastiga sem resistência) e reservei.
Na panela, coloquei uma colher (sopa) de óleo de soja e uma (sopa, cheia) de manteiga e esperei esquentar pra acrescentar uma colher (café, rasa) de açafrão, um caldo de galinha, uma colher (sobremesa) de açúcar e o milho cortado (necessariamente, nessa ordem). Mexi o tempo todo e não precisei acrescentar água. Se o milho não estivesse tão molinho, a água seria necessária (pouca e aos poucos), além de observar cozimento mais demorado. Experimentei e achei meio sem sal. Acrescentei meia colher (café) do meu tempero e o equivalente a uma colher (sopa) de cebola batidinha e cortada fininha, antes de desligar o fogo e considerar que está no ponto. Arroz branco novinho e milho verde assim fazem o par perfeito! Porque eu me amo e vivo pra ser feliz, acrescentar um bife mal passado e uma saladinha de tomate é uma prerrogativa que concretizo; pois sei que mereço alcançar aquele estágio de satisfação que mantém o sorriso no olhar, refletindo a alegria do coração...

FAROFINHA DE CUSCUZ

A tal milharina faz bem seu papel quando o assunto é cuscuz, mas, para esta receita, prefiro o flocão. É mais encorpado! Medi duas xícaras (chá) de flocão e utilizei uma xícara de água morna para umedecer a mistura, mexendo com a ponta dos dedos. Deixei descansar uns três minutos. Chamo de cuscuz só esse ingrediente que se cozinha na cuscuzeira. Nada de elaborado, como é comum na cozinha paulista. Sei que está cozido porque o cheiro se espalha pela cozinha... Retirei o cuscuz e reservei. Numa panela, refoguei, em duas colheres de óleo de soja, duzentos gramas de bacon picado, em tirinhas; uma cebola média batidinha e picada fininha; uma colher (café, rasa) de açúcar; uma colher (sopa, rasa) do meu tempero e uma colher (sopa) de azeite. Assim que fritou, desliguei o fogo e acrescentei o cuscuz, mexendo bem para incorporar os ingredientes. Pronto (se gostar, fica melhor ainda com cheiro verde picado, só jogado por cima)! É farofa perfeita pra acompanhar peixe frito ou assado. Essa receita remete meus pensamentos a momentos agradáveis, quando saborear e papear fazem a vida ter mais colorido. Porque uma farofinha com peixe e arroz branco pedem uma família reunida e muita conversa jogada fora...

FAROFA DE CEBOLA E ALHO

Aprendi esta receita em uma das minhas pescarias de amadora eterna aprendiz... É melhor comprar alho já descascado, pois a relação entre quem faz a farofa e o alho a ser manipulado é tenebrosa (detesto alho e não ter de descascá-lo pode ser uma alternativa feliz!). Para esta receita, o alho tem de ser cortado em tirinhas e a cebola em cubinhos. Não vale usar processador. Cortar um quilo de alho e um quilo de cebola, não é pra qualquer um, não!. Tudo bem pequenininho. Assim que acabei de picar os ingredientes e de chorar todas as lágrimas armazenadas desde o século passado (não adiantou ficar de óculos, nem por água na boca, nem usar máscara, nem sair de casa e cortar contra o vento... a fedentina se espalhou e entranhou na minha alma), tirei uma folga para exorcizar minhas mágoas e deitei-me na rede que fica na área externa, sob uma mangueira, procurando respirar o mais profundamente que pude, tentando afastar de mim a sensação de ter virado uma galinha temperada em vinha d’alho.... É preciso fazer este tipo de receita de vez em quando (uma vez a cada década, pelo menos, para funcionar como um depurativo espiritual... Mas não dá pra ter pensamentos puros depois de tais atividades... É nestes momentos que minha personalidade agradável tira uma folguinha... Cochilei e, graças aos meus anjos protetores, não retive sonhos (detesto lembrar-me de sonhos, acho uma perda de tempo!). Acordei pronta pra enfrentar a segunda etapa da empreitada. Não sou das que desistem! Numa panela, coloquei um copo (americano) de óleo de soja e cinco colheres (sopa) de margarina, pra esquentar bem, e despejei as tirinhas e os cubinhos, pra fritar. Acrescentei sal (uma colher de sopa, bem cheia) e uma colher (sopa) de açúcar. Quase queimou! É assim mesmo! Desliguei o fogo e despejei, mexendo bem, um quilo de farinha de mandioca torradinha. Pus a filha pra experimentar se ficou boa de sal. Só faço a receita, não provo. Aprendi a fazer esta receita com quem a inventou: a Oneida, lá de Minaçu, em Goiás. A danadinha serviu a farofa com pirarucu frito, arroz e purê de batatas. Comi até quase pedir padiola, como dizem os goianos. Sem nem sonhar que comia alho! Aí veio a pergunta do marido dela, pra mim: “você consegue identificar os ingredientes dessa farofa?” Eu já estava com a sensação de ter comido o peixe com escamas e espinhas, e arrependida de ter nascido, mas mantive-me displicente e tranquila, na superfície... “É de alho”, foi a resposta que ela mesma, em pessoa e sorridentemente deu. Nem de longe eu conseguiria adivinhar quem ou o quê fazia parte daquela iguaria... Pense numa criatura que quase morreu! Não na hora, no dia seguinte. Fiquei com a certeza - absoluta e certa - que tentaram matar-me, de maneira graciosa e gentil... Despedi-me deles, aparentando ter sobrevivido, mas passei mal durante todo o trajeto de uns seiscentos quilômetros até Brasília. No meu raciocínio embotado pelo mal estar, prostração corporal, pela dor de cabeça e pela dor queimando meu estômago, eu tinha certeza que minha vesícula estava paralisada e que meu estômago era uma fogueira filial do inferno. Não morri, óbvio! Mas passei bem perto... Minha alergia a alho deixa-me com dor de cabeça de três dias, no mínimo... A tal farofa é famosa por lá e não se tem notícia de nenhum defunto resultante da experiência de tê-la ingerido. Acho eu, olhando agora à distância, sob uma perspectiva empírica, que me faltou a sabedoria de ingerir, como antídoto, os líquidos à base de álcool tão comuns na cultura de apreciadores de pescarias... Constato que sou uma pescadora falsa: nem beber eu sei! Mas insisto em pescar...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

QUEIJO EMPANADO

Ninguém resiste! Aquele queijo tipo Minas, que está no ponto de meia cura – envolvido por ovos e polvilho – fica especial, quando frito, e tanto pode ser servido como tira-gosto, ou como acompanhamento num bom e fornido prato de arroz, feijão e extras...
Cortei em tiras o equivalente a trezentos gramas de queijo e reservei. Numa tigela, quebrei quatro ovos, acrescentei quatro colheres (sopa, rasa) de polvilho doce e uma colher (café, rasinha) de sal e mexi para incorporar os ingredientes, resultando numa massa meio durinha. Passei a fritar, mergulhando o queijo na massa e levando à frigideira com óleo suficiente para encobrir o empanado. Fica crocante, por fora, e o queijo mole, derretido e divino, dentro da embalagem feita com ovo e polvilho.
Bom de servir na hora que fritar. Se sobrar, mesmo frio, provoca alegria e desce redondo.
A tia Teresa Pimentel Machado, nascida lá em Coromandel, MG, foi quem me ensinou a fazer esta iguaria. Ela é cozinheira de mão cheia! Uma pessoa carinhosa, cheia de magia com ingredientes culinários, faz aparecer arco-íris quando se aproxima com um pratinho na mão e diz pra dar uma provadinha pra ver se você gosta... Ela é expert nessas receitas práticas e surpreendentes.
Vale mesmo a pena ficar por perto e observar as práticas de cozinhas alheias para interagir e aproveitar os ensinamentos. Sem falar que as cenas das circunstâncias de cheiros e sabores ficam gravadas na mente, eternamente... É lucro, na certa!

MANÉ PELADO

Ganhei esta receita de uma experiente cozinheira, a D. Isolina. Ela é a mãe da minha cunhada Juanita. Foi pioneira na construção da nossa capital e teve a ideia de criar uma cantina, para servir refeições aos pioneiros que davam vida a Brasília. A cantina conserva o nome pelo qual era conhecido: D. Isolina. E é administrada pelo filho e a nora que mantêm a mesma tradição de sabor e qualidade, acima de tudo. Esta é uma receita para muita gente. Precisei de dois quilos de mandioca. Ralei e lavei a massa (do mesmo jeito que faço com o arroz, até a água sair menos branca) e, em seguida, usei um pano de prato limpinho e seco para espremer e retirar o excesso de água. Foi assim que obtive dois pratos de massa de mandioca. Reservei essa massa. Aí, coloquei, no copo do liquidificador, um prato e meio de açúcar, duzentos e cinquenta gramas de manteiga, uma xícara (chá) de óleo e gemas de uma dúzia de ovos. Liguei o liquidificador e deixei bater, bater, bater... muito! Despejei a mistura resultante sobre a massa de mandioca reservada e acrescentei um prato, bem cheio, de queijo (tipo Minas) ralado; duas colheres (sopa, rasa) de pó-royal; três xícaras (chá) de farinha de trigo; uma xícara (chá) de coco ralado e doze claras, em neve. Mexi, com colher de pau, para incorporar os ingredientes. Ainda precisei acrescentar um copo (americano) de leite para ficar no ponto de massa de bolo. Levei pra assar (forma untada) em forno pré-aquecido, por meia hora. Rendeu duas formas (média) pirex. O segredo é colocar bastante massa para ter um bolo com fatias bem generosas. Valeu, D. Isolina! Deus a mantenha abençoada! Meeeeu Deus! Amo esse tal bolo de mandioca! Embora não goste do nome Mané Pelado (se fôssemos pessoas politicamente corretas, o nome seria Sr. Manoel despido?), mantenho-o, por ser conhecido assim nas tradicionais festas juninas. Hoje, fiz a receita completa, pois vou servi-la após um jantar para dezoito pessoas. Normalmente, faço só cinquenta por cento, pra não arriscar minha alma, ao pecar por gula! Afinal, poderia ser irreversível e não admito passar a eternidade no inferno. Além de rezar, com fervor, “creio [...] na remissão dos pecados [...]”, refreio meus instintos e fecho a boca. Com a alma leve e satisfação garantida, depois de devorar meu bom pedaço de bolo, dirijo meus pensamentos para a morada eterna. Penso que ainda faltam muitos anos para eu me mudar e sigo acreditando que, quando estiver lá, vou poder degustar todos meus pratos favoritos sem remorso! E, o que é maravilhoso: sem engordar e sem me preocupar com os radicais livres que me fazem aparentar a idade que tenho, por mais que eu queira disfarçá-la!

terça-feira, 29 de março de 2011

NHOQUE

No copo do liquidificador, pus meio quilo de batatinhas, já cozidas e picadas (resultou em quatro xícaras, de chá, de massa), e acrescentei dois tabletes de caldo de galinha, meio litro de leite, duas colheres de manteiga e liguei o aparelho, deixando bater até incorporar os ingredientes. Aí, despejei na panela, acrescentei mais meio litro de leite, mexi um pouco e levei ao fogo. Enquanto mexia, pensava na trabalheira que era fazer nhoque, antes de ganhar esta receita. Ela também tem seu lado punk, que é o finalmente, quando a massa engrossa e haja muque pra continuar mexendo... Mas, pelo menos, elimina-se a etapa de cozinhar cada um dos nacos de massa e a suadeira, sem arredar pé do fogão; além da molhaceira, ao retirá-los assim que boiam. Quando ferveu, despejei quatro xícaras (chá) de farinha de trigo, que já havia peneirado com antecedência, e mexi, agora, com maior insistência, para não empelotar. Percebi que precisava de mais farinha de trigo, ou não daria o ponto de enrolar, então, utilizei mais três colheres (sopa) de farinha de trigo. Quando começou a soltar do fundo, desliguei o fogo e despejei a massa sobre minha pedra de granito, tendo o cuidado de polvilhar farinha antes, para facilitar o manuseio, assim que esfriar. A manhã oferece um friozinho gostoso de sentir, mas não adiantou o processo, pois a massa demorou pra ficar no ponto suportável ao toque. Cortei-a em cinco pedaços e enrolei para facilitar o corte em rodelinhas. Ao colocá-las em forma pirex untada, dou uma apertadazinha, com o polegar e o indicador, e as rodelinhas ganham um espaço para acumular sabor, ao receberem molho feito de carne moída e extrato de tomate, além de queijo ralado, complementos que acrescentei ao nhoque, antes de levar a forma ao forno, só para derreter o queijo. Hoje, fiz a massa com batatinha, mas fica bom também com mandioca. Adoro fazer nhoque, porque é minha maneira de ‘viajar’ para minha cidade natal, para a casa das primas queridas que adoraram quando lhes repassei esta receita. Elas a chamam de ‘nhoque da Cléia’. Minhas lembranças são de cenas de interação e alegria. Temos em comum, além da garra, da fé na vida e outras características bem herdadas, Aparecida no início dos nossos nomes... Ernesta, de Lourdes e do Carmo são modelos de mulheres que sabem a força de um time que acredita que a família é a engrenagem que impulsiona para as realizações individuais e para a conquista da realidade do vir a ser. Um processo incessante de renovação e continuidade que, herdada, exige cuidados para se manter...

quarta-feira, 23 de março de 2011

PUTISSA

Fiz uma panelada de doce de banana! Que delícia! Deixei o doce esfriando, e comecei a fazer a massa da putissa. A receita foi passada pra minha mãe que a legou pra mim. Meu irmão mais velho já me disse: Sua putissa nem chega aos pés da que a minha mãe faz! Gostei da crítica. Minha mãe bem sabidinha foi consultada e fui à luta pra aprimorar minha aprendizagem! Então, aí vai a receita melhorada...
Esquentei, no micro-ondas, um e meio copo (americano) de leite (400 ml) e despejei no liquidificador. Acrescentei quatro ovos inteiros; duas colheres (sopa) de margarina; meia xícara (chá) de gordura de porco; duas gotas de baunilha; uma xícara (chá) de açúcar refinado e deixei bater por uns três minutos. 
Juntei, numa vasilha à parte, duas colheres (sopa) de pó-royal a meio quilo de farinha de trigo. Misturei, então, o líquido do liquidificador à farinha na vasilha. Mexi e fui acrescentando mais duas xícaras de farinha.
Mexi bastante, com as mãos, prazerosamente, sentindo-me afagada pelas lembranças que me levaram à cozinha da minha tia Pina, em Ipuã, minha cidade natal, lá no interior de São Paulo. Num tempo feliz que não volta mais, nos anos 60.
À proporção que amassava, fui sentindo que a massa ficava mais macia, muito agradável de lidar, e prometia ficar tão saborosa quanto a que a minha tia fazia, quanto a que a minha mãe faz. 
O ponto é meio mole. 
Dividi a massa em nove pedaços, para abrir na pedra enfarinhada. Depois, abri cada pedaço (do tamanho de uma folha de papel A-20) e espalhei três colheres de doce na superfície, enrolando, em seguida. 
Enrolei, no sentido do comprimento, não da largura, pra não dar muitas camadas e arriscar a ficar mal assado, no meio. Enrolei como rocambole (tendo o cuidado de não fechar as bordas, pra não rachar o rocambole, pois o doce muito quente, quando no forno, tende a vazar). Dispus os rocamboles nas formas que, anteriormente, revesti com papel alumínio (já contei que tenho mania de usar papel alumínio, em vez de untar forma?). Deixei descansar um pouco e assei. A massa fina fez render nove putissas. Ô alegria!!! Putissa tem gosto de saudade e de infância.

Quando minha amada e saudosa tia Pina fazia putissa, era uma festa, um encantamento que adoçava a minha vidinha de menina tranquila. Fazer putissa (e comê-la) mantém vivas as lembranças boas, da minha meninice. Sou a continuação e meu papel é reflexo das minhas heranças... Cabe a mim (apenas neste momento, quem sabe até quando?), dar sequência à parte maravilhosa da história da nossa família de glutões. Gosto do gostinho do leite gelado, sem açúcar, para acompanhamento. Quando vou saborear essa gostosura, sinto que trago pra perto (acalmando o meu coração cheio de saudade) a mesma alegria que sentia, junto a essa tia doce e querida tia Pina.

DOCE DE BANANA

Na panela de alumínio batido, despejei meio prato de açúcar pra ‘queimar’. Basta observar, sem sair de perto e ir mexendo a panela (não mexi dentro da panela, só balancei, para que, ao derreter, a calda não queime, só fique caramelizada). Sobre essa calda, joguei dois pratos (do tipo fundo) de banana nanica (bem madurinha, descascada e picada). Mexi bem e acrescentei mais meio prato de açúcar. Mexi mais e acrescentei duas colheres (sopa) de caldo de limão. Deixei cozinhar, com calma, em fogo baixo. De vez em quando dava uma mexidinha, pra não grudar no fundo. Colher de pau a postos, dentro da panela, sempre à espera da minha lembrança. O doce ficou pronto assim que, ao mexer, vi o fundo da panela e esse fundo se manteve aparecendo ainda um bocado de tempo, depois que passei a colher. Esse doce é um dos poucos que agradam tanto quente quanto geladinho. Acho que é porque ele quente lembra o sabor gostoso da putissa, que é um tipo de rocambole recheado com doce de banana. Hummm... foi só lembrar que deu água na boca. Não tem como não partir pra nova atividade: fazer putissa...

quarta-feira, 16 de março de 2011

AMENDOIM DOCE

Esta receita eu ganhei de uma colega, num dia de festa junina no Centro Educacional 02 de Taguatinga, o Centrão. Não me lembro do nome dela... Peço perdão! Coisas dessa profissão de professor... São tantos nomes! Lembro-me do rosto, do sorriso tranquilo e contagiante, e da disposição para dividir comigo esta receita que tenho feito sempre, desde então. Enquanto ajeito a panela e os ingredientes, perco-me a pensar num tempo de tanta correria, de cumprimento de horário rígido, sem poder ligar para as próprias necessidades, voltada para a escola, os filhos, a casa, o marido, amigos, os familiares (não necessariamente nessa ordem)...
Na panela, coloquei um quilo de amendoim cru, quatro xícaras (chá) de açúcar, duas xícaras (chá) de água e uma colher (sopa, rasa) de pó-royal. Misturei tudo e levei ao fogo, mexendo de vez em quando, até perceber que estava prestes a açucarar. Desliguei o fogo, mexi mais um pouco para não formar blocos e despejei em assadeira, espalhando levemente... Aí, levei ao forno pré-aquecido (180’), por cinco minutos, para acelerar a secagem e garantir que os amendoins ficassem soltinhos. Também conhecida como amêndoa doce, em algumas regiões brasileiras, esta receita agrada a todos que trazem a infância guardada na memória saborosa que remete às festas juninas e às cozinhas mágicas onde figuras femininas se esmeram para manter cativos seus vassalos...











quinta-feira, 10 de março de 2011

PÃO SÍRIO

Na minha bacia de alumínio, pus três colheres (sopa, rasa) de açúcar, duas colheres (sobremesa, rasa) de fermento biológico seco (aquele granulado), duas das quatro xícaras (sopa) de farinha de trigo que vou usar na receita e um copo (americano) de água morna. De início, mexi com colher de pau até incorporar bem e, logo, passei a mexer com a mão mesmo. Deixei descansar por dez minutinhos. Aí, acrescentei um copo (americano) de leite morno, uma colher (sopa, rasa) de sal, uma colher (sopa) de óleo de soja e um ovo. Tornei a mexer bastante e utilizei o restante da farinha. Enquanto amassava, tive de ir acrescentando punhadinhos de farinha, pois a massa ainda ficava grudando na mão. Com uma faca, dividi-a em cinco pedaços e enrolei tiras que também cortei para fazer bolinhas que passei pela farinha de trigo (só a parte que ficava em contato com a superfície) e pus para crescer em uma forma de alumínio. Deixei descansar por quinze minutos. Aí, fui abrindo cada bolinha, com o rolo, e dei o formato do pão sírio, arrumando a massa formatada pelos espaços da forma que usei para assar os pães. Deixei descansar novamente, por dez minutos. Levei para assar no forno que tinha sido ligado, com antecedência, à temperatura de duzentos e cinquenta graus. Assim que retirava do forno, punha sobre um pano esticado na mesa e cobria com outro. É tática para que, ao esfriar, fique macio, porque assim como acontece com o sapo que pula, não por boniteza, mas por precisão, também esse pão saboroso não é nenhuma lindura, mas carrega, por serventia, a exigência de ser macio ao mastigar...

Aproveitei e fiz um chazinho de casca de maçã com três cravos da Índia e saí, com minha canequinha de chá fumegante e cheiroso em uma mão e um pão quentinho na outra, para observar a formação das nuvens no céu. A gente cresce e adquire a automação de viver enfurnado e ensimesmado nos emaranhados do próprio pensamento e nem se lembra de observar o cenário... Hoje, resolvi que ando precisando olhar mais pro céu...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

MASSA CASEIRA DE MACARRÃO

Minha máquina de fazer pão, já bem surrada, não mostra mais as letras que identificam e permitem mudar programas. Mesmo assim, ainda funciona para misturar, uniformemente, ingredientes que nela coloco enquanto corro atrás de outras prioridades. Atualmente, minha mania é a de fazer macarrão caseiro. Ainda bem que a tenho, pois misturar ingredientes de massa de macarrão é canseira, já que fica meio dura. E o livrinho de receitas que acompanha essa máquina é quase uma ‘Brastemp’. Nele, encontra-se a minha mais recente receita de massa caseira, que leva farinha de trigo na mesma proporção que farinha de semolina. Quando eu era moça (muito mais do que sou hoje rsrsrs), minha mãe fazia o macarrão do domingo e ia trabalhar. A massa ficava pronta e era enrolada como rocambole e cortada com faca. Ficava bonito de ver as tirinhas, bem irregulares. Cabia a mim cuidar da secagem (ela estendia como se fosse roupa, sobre panos de prato brancos) e fazer o molho. Quando ela voltava da mercearia, que ela fechava ao meio dia, ela finalizava ‘a pasta’, com bastante queijo ralado e era uma festa... Casava muito bem com a polenta e o frango caipira, ao molho. Tempos de transição veloz e quase indolor... De excelentes lembranças... Hoje em dia, com esse tanto de neto que as cegonhas trouxeram, achei por bem ressuscitar esse tesouro, já que, à proporção que eles crescem, mais gostam de macarronada. Mas sou prática e quis uma máquina de abrir e cortar a massa. Como tenho apanhado da danadinha! Mas vou domá-la... O primeiro produto que me foi dado saborear é o da foto anexa (não resiste a uma olhada com muita atenção, pois são muitas e estranhas as irregularidades de formato kkk).

Aí passei a cortar em formato de talharim (o cortador dá essas duas opções), porque dá muito menos trabalho. E tem sido uma diversão. Posso dizer que estou fissurada em fazer macarrão. Mas me seguro, porque demorei a achar a tal farinha de semolina (e o mercado só tinha dois pacotes de um quilo cada) e porque, durante a semana, são poucos os fregueses à mesa. Agora mesmo, terminei uma receita e deixei as tirinhas secando sobre o pano da mesa da cozinha. Fiz com dois copos (a medida que vem com a máquina de pão) de farinha de trigo, mais dois copos de farinha de semolina, quatro ovos, uma colher de azeite de oliva extra virgem e meio copo de água morna. Acrescentei uma colher (café, rasa) de sal. Enquanto a máquina fazia a mistura virar massa, enquanto abria e cortava essa massa em formato de macarrão, contei um tantão de casos para a minha filha que assistia, intrigada, a mãe se deliciar com o brinquedinho novo, com a novidade engorda-fácil. Amanhã, é dia de neto em dupla e preciso estar preparada. A carne moída costumo fazer com antecedência (vai para o freezer, distribuída em vasilhinhas). Aí, retiro uma delas, descongelo o conteúdo no micro-ondas, levo ao fogo e fica faltando só acrescentar o extrato de tomate, acertar o tempero (normalmente, além de sal, coloco uma pitada de açúcar) e deixar ferver bastante, para incorporar sabor. Sem esquecer o toque mágico, o queijo ralado, atrativo maior para deixar os netos se lambuzarem e pedirem mais dessa maravilha em formato de tirinhas... Ô vidinha mais ou menos...
Sítio Rosa Mística, 21 de fevereiro de 2011.

PALHA ITALIANA

Quebrei em pedacinhos dois pacotes de bolacha Maria e reservei. Levei ao fogo duas latas de leite condensado, com duas colheres (sopa) de chocolate e duas colheres (sopa)de margarina e fiz um brigadeiro. Assim que estava desprendendo do fundo, retirei a panela do fogo, joguei o biscoito, mexi bem e voltei a panela para o fogo, por pouco tempo, só pra amolecer um pouco. Despejei sobre uma forma untada com margarina e arrumei o doce, uniformizando-o. Deixei esfriar e levei-o à geladeira. No dia seguinte, cortei-o em quadradinhos e passei-os no açúcar cristal. É um brigadeiro com surpresa crocante. Delicioso. Próprio pra dar uma corzinha no rosto, no finalzinho da tarde, quando é preciso recuperar o ânimo, pra aproveitar melhor a noite que chega. Esta é uma sobremesa que fazia muito sucesso quando meus filhos eram adolescentes. A receita foi dada pela Elizabeth (Beth) Tredicci, amiga querida que é a aposentada que mais tem casa espalhada por esse Brasil varonil. Em julho de 2009, hospedou minha gente lá em Coxim, à beira do rio piscoso chamado Taquari, quintal da linda casa dela no Mato Grosso do Sul. Trabalhamos juntas em Taguatinga, Distrito Federal, na Regional de Ensino. Ela cuidava dos rumos do ensino das Artes e eu da nossa Língua Portuguesa. Foram muitos nossos momentos de interação. Ela é só alegria e alto astral. Tenho fé que ainda vou ter a grata satisfação de conviver bastante com essa garota e partilharemos um futuro de muita colheita: só de flores e perfumes...
Sítio Rosa Mística, 13 de abril de 2010 (dia do aniversário da Beth!).

ENROLADINHO DE QUEIJO

Na minha bacia de alumínio, coloquei seis colheres (sopa) de açúcar, dez colheres de óleo, meia colher (sopa) do meu tempero (depois de amassar, experimentei e pus um pouco mais), dois copos (americano) de leite morno, três tabletes de fermento de padaria; e farinha de trigo (quase um quilo).
Amassei muito e deixei descansar. Aproveitei pra pensar na vida e a a chuva que cai chamou minha atenção, pois só agora realizei que, talvez, o tempo não deixe o fermento agir como deveria... Essa não é a receita apropriada para este momento, se eu for considerar o friozinho neste final de tarde. Mas é a receita perfeita para quem está de ressaca do domingo proveitoso, mas muito cansativo. Cada enroladinho desses passa a informação que o espírito abarca: só quem é filho(a) de Deus tem direito a saborear tal delícia reconfortante e supimpa! Depois de quarenta minutos, a constatação de que os anjos estão a meu favor: a massa cresceu como deveria! Abri-a e cortei em tiras, e enrolei os pedaços de queijo cortados em formato de palito. Coloquei os enroladinhos nas assadeiras, pincelei com uma gema e meia xícara (café) de café (que misturei pouco tempo antes), deixei crescer (por vinte minutos) e assei. Ficou perfeito, pois me lembrei de deixar o queijo na temperatura ambiente, antes de enrolar. Teve uma vez que fiz os enroladinhos com o queijo gelado e o resultado não foi dos melhores, porque a massa abriu e o queijo acabou esparramado pela assadeira... expulso pela massa, enquanto o enroladinho assava. Quase deu briga, com tanta mão disputando o queijo derretido. Também não sobrou massa. Mas não é a mesma coisa. Bom mesmo é que dê certo e agrade aos olhos, tanto quanto ao paladar. É o jeito perfeito para agradar aos olhos, ao paladar e ao coração!

Esses dois comedores de macarrão (o Rafael e a Juliana) são dois fãs incondicionais do enroladinho de queijo da vovó!
Sítio Rosa Mística, 3 de janeiro de 2011.

BISCOITINHO DE QUEIJO


Com chá, com café, com refrigerante, com suco... não importa! O que importa é que esse danadinho, mesmo sozinho, é divino! Gosto de usar o polvilho azedo do Zé. Mas não é em todo lugar que acho para comprar. Hoje, usei polvilho doce (não cresce como o azedo!). Despejei-o numa bacia e, por cima, joguei e incorporei (esfregando o polvilho com as duas mãos) um copo (americano) de leite integral, na temperatura ambiente. Liguei o forno e programei-o para 200 graus. Numa frigideira mais funda, coloquei um copo (americano, pelo vinco) de óleo de soja e levei ao fogão, para esquentar bastante (fiz o truque de jogar dentro um palito de fósforo que acendeu e identificou o ponto). Despejei, com cuidado, o óleo quente sobre o tal polvilho que, anteriormente, umedeci com leite. Acrescentei uma colher (sopa) do meu tempero (pode ser sal a gosto, também), quatro ovos, um prato (fundo) de queijo ralado, mais meio copo (americano) de leite e amassei até incorporar bem todos os ingredientes. O ponto é mais para o de massa durinha. Fica soltando das mãos que nem precisam ser untadas na hora de enrolar os biscoitinhos, em forma de meia lua. Quem gosta de pão de queijo, também sabe apreciar esta quitanda que leva os mesmos ingredientes do pão de queijo, mas fica mais crocante e sequinho. Os netos preferem qualquer um; curtem do mesmo jeito... Quem curte mais é a avó que constata que agradar o paladar de neto é quase tão bom quanto ter certeza que o paraíso também é um bem terreno... E muito mais fácil de ser conquistado!
Sítio Rosa Mística, 18 de fevereiro de 2011.

DOCE DE GOIABAS EM CALDA

Comprei doze goiabas (escolhi as menos verdes) e preparei-as para fazer o doce em calda. Usei duas panelas: uma para as cascas e outra para cozer as sementes. Primeiramente, lavei as goiabas e retirei pontas e partes danificadas. Aí, cortei cada uma em duas partes e, com uma colher, fui retirando as sementes e colocando-as já na panela que levei ao fogo. Acrescentei meio copo (americano) de água e um copo (americano) de açúcar e deixei ferver, mexendo de vez em quando. Enquanto isso, pus a outra panela também no fogo, com as cascas que cortei em tiras e dois copos (americano) de açúcar. Alternando as mexidas entre as duas panelas, em dez minutos percebi que as sementes já estavam cozidas e bati essa pretensa geleia de goiaba no liquidificador, passando-a por uma peneira fina, para retirar as sementes (que joguei no lixinho). O resultado, depois de peneirada, é uma pasta de cor brilhante e convidativa, que despejei na panela com as cascas. E continuei mexendo por mais um tempinho. A calda engrossou e o doce foi tomando forma. Experimentei e acrescentei quatro colheres de açúcar (gosto mais docinho, do jeitinho que gosto de levar a vida, com mais sabor...). Assim que percebi que as cascas já estavam cozidas, abaixei o fogo. Aí, enxaguei o copo do liquidificador e fui colocando nele quantidades pequenas do doce, para processar algumas cascas mais durinhas. Processei uma vez cada quantidade (girando o botão para ligar e voltando o botão, desligando, no mesmo instante), para continuar tendo pedaços, só que menores. Esse doce espalha seu cheiro delicioso pela casa toda, como se fosse música, das boas, gostosinha de ouvir e cantarolar... Pode ser saboreado quente, ou gelado, sobre sorvete de creme, coco, ou flocos; ou com manjar; ou puro; ou com queijo fresco tipo Minas... Como qualquer som elaborado, esse doce de goiabas, metamorfoseado de música, faz maravilhas com e em todos os sentidos...
Sítio Rosa mística, 21 de fevereiro de 2011.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

MANJAR DE MARIA MOLE


A alegria de agradar com sobremesa saborosa é sem tamanho... E pensar que quase não dá trabalho. Ver as noras repetindo e servindo meus netos, não tem preço! A sobremesa de hoje foi tarefa que o liquidificador resolveu com facilidade... Praticamente, só tive o trabalho de abrir embalagens... Pus água para ferver; uma xícara (chá), enquanto despejava, no copo do liquidificador, o conteúdo de uma caixinha de maria-mole. A água ferveu, despejei-a sobre o pó, pus a tampa e liguei o barulhento. Aí, retirei a tampinha do copo, por onde acrescentei uma xícara (chá) de leite, mais o conteúdo de uma embalagem de leite condensado e, ainda, o conteúdo de uma caixinha de creme de leite, sem o soro (anteriormente, pus a embalagem no congelador – por vinte minutos, para retirar o soro). Aí, desliguei o liquidificador e despejei o conteúdo em uma forma de pudim (umedecida com água, para facilitar na hora de retirar o manjar). É preciso deixar na geladeira, por quatro horas, para desenformar sem passar vexame. Receitas assim não deixam dúvida sobre o resultado: são puro sabor... E como sou uma avó que gosta de agradar – com força – também fiz o doce de goiaba em calda (próxima receita) que é acompanhamento perfeito para esse manjar. Porque hoje comemoramos os cinco meses da Taís, a caçulinha. Foi uma festa, com todo mundo tagarelando feliz, enquanto saboreava a sobremesa que exala o carinho dessa avó pela família abençoada que Deus lhe deu!


Sítio Rosa Mística, 20 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PEIXADA AO SUGO

Costumava fazer este prato com filé de merluza, mas, com a chegada (e ficada) do filé de tilápia, assumi a barganha e só tive a ganhar: é muito mais saboroso! Na panela de pressão, coloquei um quilo de filé de tilápia (temperei com um pouquinho de sal uns dez minutinhos antes), cortado em pedaços quase uniformes, e despejei o conteúdo de uma lata de molho de tomate ao sugo. Fechei a panela, sem mexer e levei-a ao fogo. Assim que pegou pressão, esperei cinco minutos e desliguei. E deixei que, naturalmente, acabasse a pressão. Está pronta a receita. Ô trem bom! Quase tão fácil quanto saborear algodão doce!

MANDIOCA ESCONDIDINHA

Sobrou mandioca cozida; o equivalente a meio quilo. Também sobrou milho verde refogado (duas xícaras de chá) e refogado de carne moída com molho de tomate)... Então, resolvi inventar... Coloquei a mandioca no copo do liquidificador, acrescentei meia cebola picada, uma xícara (chá) de leite, duas colheres de requeijão cremoso e metade do milho. Bati até ver tudo se incorporar. Experimentei e acrescentei meia colher (sobremesa) do meu tempero. Despejei em forma refratária, untada com margarina. Por cima, espalhei o restante do milho, duas xícaras (chá) de carne moída e seis colheres (sopa) de queijo (Minas, meia cura) ralado. Levei ao forno pré-aquecido (180 graus), por vinte minutos, e servi com arroz branco. Sabor e alegria deram-se as mãos para me fazer companhia! Não troco essa interação prato-garfo-paladar por uma viagem intergalática, tendo o Fagner, cantando, ao meu lado. Se ele quiser, reservo-lhe um prato e fico à espera enquanto ele dá conta da empreitada, para depois encostar a cabeça no seu ombro e chorar... de alegria! Amo o Fagner, mas ele é a irrealidade do sonho. Já a mandioca escondidinha...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ROSQUINHA DE COCO

Numa bacia, coloquei um copo (americano) de água; um de leite, um de açúcar e outro, pelo vinco, de óleo. Acrescentei quatro ovos, dois tabletes de fermento de padaria, duas gotas de baunilha e um quilo de farinha de trigo (aos poucos). A massa ficou uma gostosura de mexer. Depois de bem amassada, deixei-a crescer, coberta com um pano de prato, por meia hora. Aí, acendi o forno e programei-o para 180 graus. E fiz as rosquinhas. Na verdade, sessenta e cinco delas, no formato de tranças pequenas.

Deixei-as crescer, de novo, por mais uns vinte minutos, enquanto fazia uma calda com meio litro de água e vinte colheres (sopa) de açúcar. Pus a mistura de água e açúcar no fogo e deixei ferver por quinze minutos. Depois de assar, passei cada uma das rosquinhas na calda e, depois, no coco ralado (que despejei antes em um prato fundo). Para fugir de situações incomodatícias, aquelas que, vez em sempre acontecem pra tentar derrubar a gente, enfurno-me na cozinha. Contra a maldade alheia, nada como uma boa quitanda, acompanhada do chazinho certo, numa tarde de chuva fininha. É nocaute na inveja. Faz bem ao coração...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BOLACHA CRISTALIZADA


Primeiro, liguei o forno e programei-o para 180 graus. Peguei o açúcar, os ovos, a essência de baunilha, a farinha de trigo, o pó-royal, a margarina e o doce de goiaba (aquele comprado pronto, que vem em embalagem pequena, é de cortar e é bem baratinho).
Esta receita que vou fazer me traz lembranças doces... É a preferida de muita gente amiga que vem à minha casa. Aqui, sempre tem a tal bolacha cristalizada, em um vidro sobre a bancada, na cozinha. Nem ofereço. Já é costume as pessoas que gostam irem até o vidro e pegarem para saborear.
No copo do liquidificador, pus quatro ovos; doze colheres (sopa) de açúcar cristal; uma colher (sobremesa, rasa) de essência de baunilha e oito colheres (sopa, cheia) de margarina. Deixei bater bastante. Acrescentei duas colheres (sopa, rasa) de pó-royal e dei uma ligadinha para ver o pó misturar-se aos outros ingredientes. Despejei, então, numa bacia de alumínio e acrescentei trinta e duas colheres (sopa cheia) de farinha de trigo e fui mexendo com colher, enquanto deu certo. Quando a massa pesou, passei a amassar com a mão. A massa ficou meio mole e não deu o ponto de enrolar.  Aí acrescentei mais quatro colheres de farinha de trigo, uma a uma, mexendo e observando o ponto. Não tem erro. A massa fica macia, meio mole, mas solta da mão, sem precisar untá-la para enrolar as bolinhas... e, ao passar a bolinha no açúcar, ele gruda fácil na superfície de cada uma...


Pois é, tem que enrolar e passar no açúcar! E o doce, vai dentro da bolinha. É uma gostosura! Na hora de enrolar, puxei um banquinho para perto da mesa, sentei-me nele, preparando-me para a tarefa agradável de enrolar as danadinhas. Em vez de untar, cobri as formas de assar com papel alumínio, tendo o cuidado de deixar o lado brilhante para cima, e fui dispondo as bolinhas espaçadamente, pois, no forno, elas crescem muito. Também arranjei um prato com açúcar cristal (uma xícara de chá). Enquanto pegava um pouco da massa e abria, na palma de uma mão, para dispor o doce, e enrolava a massa em torno do doce, com as duas mãos, pensava nas tantas vezes que já representei este papel de confeiteira feliz. Enrolava, passava no açúcar e dispunha sobre o papel alumínio.


Renderam sessenta e duas bolinhas que, depois de assadas, viraram bolachinhas gorduchinhas; resultado de efeito mágico, dentro do forno quente. Esta receita ganhei da Ana Emília, uma amiga querida, com quem convivi por mais de vinte anos, em escolas de Taguatinga. Ela ensinava Ciências e eu, Língua Portuguesa. Sempre nos demos muito bem e foram muitas as receitas que trocamos. Foi esta a que me marcou mais. Sempre que a faço, penso nela e relembro nossa interação e cumplicidade. Hoje, porque fiquei pensando na doce Ana Emília, querida amiga, e fiz as bolinhas pequenas e delicadas. Quando estou com pressa e o tempo não quer colaborar, eu as faço enormes e o resultado é bem menor em quantidade, mas, nunca, em sabor e prazer. Que tal? Vai experimentar?


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

FAROFA DE CENOURA, BACON E UVA-PASSA

Tenho o privilégio de contar com um processador. Pura frescura, pois um ralador faz o mesmo efeito, neste caso. Desde que seja utilizado naquele outro lado, o lado que deixa os pedaços da cenoura em tirinhas. Após processar, reservei as tirinhas e parti pro fogão. Numa frigideira, coloquei pedacinhos de bacon (o equivalente a cem gramas) em duas colheres (sopa) de óleo de soja e deixei fritar. Acrescentei cebola batidinha e uvas-passa (dois punhadinhos) sem sementes. Dei mais uma mexidinha e acrescentei a cenoura. Esperei um minuto, antes de mexer, para não criar caldo. Mexi por mais um minuto, pus uma colher (café) do meu tempero, mexi mais um pouquinho, desliguei o fogo e acrescentei uma xícara (chá) de farinha de mandioca torrada. Misturei e servi. Danadinha essa farofa! Faz um sucesso! Se tiver sobras de bife já passados ou sobras de carne de porco, é só picar em pedacinhos miudinhos e acrescentar (antes da cebola batidinha) à farofa, que fica ainda mais saborosa! Dá até pra afastar mau olhado e ziquizira...

SALADA DE ALFACE

Pra mim, vacinada contra os tais caramujos em alface, só serve a tal hidropônica. Mesmo assim, faço vistoria em cada folha! Depois de lavadas, deixo (por uns três minutos) as folhas em água suficiente para cobri-las, e acrescento uma colher (sopa) de água sanitária. Torno a lavar e escorro-as, preparando-me para fazer minha salada predileta... Não corto, quebro as folhas sem amassá-las e acrescento tempero que preparei com antecedência: uma colher (sopa) de azeite de oliva virgem, uma colher (café, rasa) de sal, uma colher (sopa) de caldo de limão e duas colheres de água filtrada. Se não for servir a todos na mesma hora, deixo o tempero à parte, para usá-lo na hora de comer (ou as folhas de alface murcham). Quando estou sentindo-me enfastiada, só a salada com arroz já me fazem sentir pertinho do céu! Não por ficar à beira da morte, mas, por merecimento; para antever o que me espera quando me for dado deixar este paraíso pra usufruir do outro, o eterno... Lá onde tudo que se ‘vive’ tem gosto de algodão doce e nada resulta em efeitos colaterais... Do jeitinho que era na infância...

ESCOLHA DIFÍCIL: BIFE À MILANESA OU À PARMEGIANA, COM MOLHO AO SUGO?

Meu pai conta que uma esposa se desdobrava pra agradar o marido e caprichava nas refeições. Mas, esse marido sempre se saía com um está muito bom, mas não está igual ao que minha mãe fazia.
Realmente, nada se parece com comida de mãe...
Pois teve um dia que a tal esposa, enviesada com o comentário do saudosista, nem percebeu que queimava o arroz e deixava a carne passar do ponto.
Serviu a refeição assim mesmo e, para sua surpresa, ouviu o marido dizendo agora sim, tá igualzinha à comida que a minha mãe fazia!
Pronto, estava desvendado o segredo: a comida deveria ser levemente queimada!
Meu caçula costuma dizer que o bife à parmegiana que eu faço não tem igual. Apesar de saber que não é verdade, fico envaidecida, fico tão cheia de mim que, se eu subir numa balança, sei que ela vai acusar uns três quilos a mais.
Pois vai aí a receita, para que a minha norinha Gisele não precise quebrar a cabeça descobrindo meu segredo, ao tentar agradar o maridinho.
E faço uma sugestão: que ele mesmo, o filho caçula aprenda a fazer o tal bife. Afinal, meus filhos se casaram sabendo cozinhar o trivial. E fogão que é dirigido por mulher aceita ser dirigido por homem...
Temperei, com uma colher (sopa) do meu tempero, um quilo de bifes (gosto de alcatra ou contra-filé) e reservei. Num prato fundo, misturei quatro colheres (sopa) de farinha de trigo com dez colheres de farinha de rosca e empanei cada bife. Em seguida, pus a vasilha na geladeira, por vinte minutinhos.
Fritei, um a um, em óleo de soja bem quente.
Parada para refletir.
Se eu estiver com pressa, fica assim mesmo: bife à milanesa! Mas, vou fazer mesmo à parmegiana...
Passo, então, a fazer o molho de extrato de tomate que vai sobre os bifes prontos.
Numa panela, coloquei o equivalente a dez colheres (sopa) de carne moída já cozida (sempre tenho a opção da carne moída pronta, para agradar os netos), o conteúdo de uma lata de trezentos e quarenta gramas de extrato de tomate elefante e dois sachês (também de trezentos e quarenta gramas) de molho pronto (desses que todo mercado oferece em várias opções), ao sugo. Experimentei o tempero e achei meio insosso; acrescentei uma colher (café) do meu tempero e meia colher (café) de pimenta-do-reino. Deixei ferver e pus um copo (americano) de água e esperei ferver mais um pouquinho, antes de desligar o fogo.
Aí, montei o prato (usei uma forma pirex): em cima de cada bife, uma fatia de queijo muçarela (importantíssimo que o queijo seja protegido pelo presunto!) e uma fatia de presunto. Completado o fundo da pirex, coloquei os outros bifes sobre os primeiros, tendo o cuidado de desencontrá-los, na arrumação, para que não virem dois em um...

Por cima, despejei o molho e levei a forma refratária ao forno pré-aquecido (200 graus), por dez minutinhos.

FEIJÃO NOSSO DE TODO DIA

Na panela de pressão, coloco duas medidas de feijão, catado e lavado, quatro medidas de água, uma colher (sopa) de óleo de soja e deixo cozinhar por trinta minutos (fogo baixo, depois de pegar pressão). Li e concordei que não se deve deixar feijão de molho e, se tiver que deixar (às vezes o feijão é velho e demora muito pra cozinhar), deve-se jogar a água do molho fora e dar uma enxaguada em água corrente (para não dar gases). Também li (e também concordei, porque vale muito a experiência que é testada e comprovada!) que não dá certo pôr cebola em feijão (pela mesma tal razão dos gases). Abri a panela, depois de retirar a pressão e descobri que podia ter olhado uns cinco minutinhos antes (ficou desmanchando!). Voltei a panela para o fogo e acrescentei meia colher (sopa) de sal e mais uma colher (sopa) de óleo de soja. Deixei ferver por mais dois minutinhos e desliguei. Não sou fã de feijão, mas, quando meu organismo sente falta, e resolvo sair do sério, tomo caldo, faço sopa, como só com arroz... ‘overdoso’ a dose!

ARROZ AFOGADO

Costumo fazer arroz afogado. Minhas cozinheiras professoras (mãe e tias e primas) refogam arroz, alegando que fica mais saboroso. Concordo. Mas, do meu jeito, sem fritar o arroz, fica saboroso e saudável. Elegi uma canequinha de plástico para ser a medida e vem dando certo, há tempos, com arroz suficiente para três pessoas, no almoço e no jantar. Faço duas medidas de cada vez. Para a mesma medida de arroz, coloco duas de água. Portanto, hoje, coloquei, sobre a chama do fogão, a panela com quatro medidas de água, uma colher (sopa) do meu tempero, duas colheres (sopa) de óleo de soja e uma colher (sopa) de cebola batidinha. Quando ferveu, pus as duas medidas do arroz, já lavado e escorrido. Quando tornou a ferver, abaixei o fogo, dei uma mexidinha, para misturar a cebola que ficou por cima e deixei secar. Pronto. O resultado é igual e, com certeza, esse é o jeito fácil de fazer. Quando preciso fazer com que fique mais saudável, para levar mais cor ao rosto dos netos, acrescento cenoura picada fininha e vagem em rodelinhas.

AS SOBRAS VIRARAM TORTA


Sobrou frango assado (principalmente peito), sobrou milho verde refogado e purê de batata. Segunda-feira sem preguiça e sem sobrar restinhos (disso e daquilo) não é segunda. Na panela onde vou levar o recheio ao fogo, desfiei o frango, acrescentei os restos e reservei. No liquidificador, bati o conteúdo de meia embalagem de creme de leite, meio copo de requeijão cremoso e meia lata de milho verde (com o caldo equivalente a essa metade). Usei tudo na base da metade porque as sobras são poucas e não vai render uma torta grande. Despejei sobre o que estava na panela e acendi o fogo, mexendo sempre, até começar a ferver e incorporar bem os sabores. Experimentei e precisei acrescentar um pouco do meu tempero. Reservei e parti pra massa. Na própria pirex que vou usar pra finalizar a torta, coloquei duas colheres (sopa) de margarina, o resto do creme de leite, duas colheres (sopa) de açúcar, uma colher (sopa, rasa) do meu tempero, um ovo e uma colher (sopa, rasa) de pó-royal. Sou do tipo fiel. Desde que me entendo por gente que o pó-royal faz parte da minha vida e não consigo escrever, simplesmente, fermento em pó... Não seria uma receita com a minha cara. Mexi, já com uma mão, os ingredientes e fui despejando farinha, aos poucos, com a outra mão. Não medi quantidade, mas usei por volta de duas xícaras (de chá). A massa ficou em ponto de abrir com o rolo, mais pra mole, de propósito, pois, na hora de abrir, polvilhei farinha no plástico e facilitou, sem aderir. Usei a tática de abrir no plástico, porque facilita muito na hora de montar. Peguei um saquinho desses transparentes, tamanho da folha A4, e abri com a faca, resultando num retângulo, e polvilhei-o com um pouco de farinha de trigo. Abri com rolo uma parte que vai forrar a forma pirex e reservei a parte menor para cobrir a torta. Depois de forrar a forma, fiz uns furinhos, na parte do fundo, com o garfo. Quando o recheio fica muito molhado, costumo esfarelar duas torradas e espalhar no fundo, antes de despejar o recheio. Por cima do recheio, polvilhei três colheres (sopa) de queijo Minas, ralado (porque era o que eu tinha em casa, mas prefiro fatias de queijo prato), pois facilita na hora de colocar a massa da cobertura, além de acrescentar sabor.
Juntei as bordas, selando para não vazar recheio e, com um pincel, passei, por cima, uma mistura de uma gema com meia xícara (café) de café preto, pra dar aquela cor dourada, depois de assar. Levei ao forno pré-aquecido a 180 graus, por meia hora.
Enquanto assava, deixei fluir a sensação de felicidade que impregna a alma, quando o ar está tomado pelo cheirinho de gostosura que se saboreia com o olfato... Servi quente e curti o movimento dos talheres no exercício de levar o alimento à boca. Comemos em silêncio, pois é assim que são feitos os momentos marcantes: não há palavras suficientes...

domingo, 23 de janeiro de 2011

PELOTA, POLPETA, ALMÔNDEGA

Tanto faz como se chama, já que são várias as nomenclaturas e a maneira de fazer: o importante é comer, com certeza! Millor Fernandes disse que “A alma enruga antes da pele”. Ninguém duvida. Ele não descobriu a pólvora. Só faz propaganda dela. Na verdade, pode-se, inclusive, cuidar da alma, mesmo sem desenrugá-la, fazendo-lhe agrados culinários. Nada como uma polpeta com arroz branco e uma saladinha de tomate temperada com limão e carregadinha no sal pra amenizar os traumas e as angústias... Principalmente, se há lembranças agradáveis envolvidas com as polpetas. Essas que faço são guardadas para eventualidades, aquelas visitas inesperadas, merecedoras de carinho. Minha empreitada exige, portanto, no mínimo, dois quilos de carne (patinho) moída. No açougue, peço pra moer 400 gramas de bacon (sem a pele do porco) junto com a carne. E gosto de ver repetir o processo, pois incorpora mais a carne ao bacon. Em casa, misturo meu tempero (uma colher, sopa) e mexo bem. Deixo descansar por uns dez minutos, que é o tempo de colocar a gordura de porco (duas barras, totalizando dois quilos) pra esquentar. É nessa banha que vou fritar as bolinhas saborosas. Nesse meio tempo, passo a carne pelo processador e vou fazendo as pelotas e colocando-as na gordura já quente (mas, não muito). Todas elas, juntas. Rendem, em média 35 a 40 pelotas. Deixo fritar, sem mexer. Às vezes, acontece de precisar achar um lugarzinho melhor pra alguma polpeta que não ficou bem coberta pela banha de porco; aí é só dar uma empurradinha com um garfo. Sem fritar muito, percebo que não tem água na gordura. Desligo e deixo quieto, na própria panela que vai servir para armazenar as polpetas (não ponho tampa, por enquanto: só cubro com pano, pra não suar e comprometer a durabilidade). Faço-as grandes, generosas. De preferência, o melhor é começar a comê-las depois de umas horinhas de descanso. No cotidiano, somos três, então costumo esquentar cinco ou seis de cada vez, em panela à parte. Panela de inox, sempre. Porque se vive em tempo de proibição ao alumínio que não pode mais ser usado para armazenar nada. É ele o vilão do Alzheimer... Aproveito para buscar na memória os momentos de prazer que me foram dados nesta vida, curtindo almôndegas no prato e companhia de gente querida.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ROCAMBOLE DE CARNE (OU LOMBO FINGIDO)


Temperei um quilo de patinho moído (com o conteúdo de um pacotinho de sopa creme de cebola) e reservei. Dissolvi meio pãozinho dormido em uma xícara (café) de leite e misturei à carne, amassando bastante para incorporar bem. Com uma faca, abri um saquinho plástico (tamanho de papel A4) e coloquei a carne em uma das metades do saquinho, para moldar o rocambole. Com a parte desocupada do plástico, colocada por cima da carne, dei a ela o formato de um retângulo. Essa tática de espalhar a carne, com o plástico por cima, facilita muito. Sobre esse retângulo, espalhei fatias de queijo e de presunto e duas colheres (sopa) de requeijão cremoso. Enrolei o rocambole e descartei o plástico. Aí untei, com óleo de soja, um pedaço de papel alumínio (o lado brilhante que é o que vai ficar em contato com a carne) e enrolei o rocambole, tendo passado, por cima, o equivalente a duas colheres de margarina.
Coloquei o rocambole em forma pirex, levando-o para assar em forno pré-aquecido a 180 graus, por vinte minutos. Ao retirar o papel alumínio, levei o rocambole de volta ao forno, por mais dez minutos que foi o tempo que precisou para dourar.

Está prontinho para ser saboreado.

Mas, se estiver inspirada e com vontade de fazer sucesso, vou além: corto-o, em rodelas, enquanto está quente; aí coloco fatias de queijo e presunto entre uma fatia e outra de carne e, por cima, jogo molho de tomate que compro pronto (gosto daquele de ervas finas). Torno a levar ao forno, para derreter o queijo e sirvo com arroz branco e salada de alface temperada com azeite, sal e limão. E está de bom tamanho... Depois de saborear esta delícia, vai bem um cafezinho, sob o pé de castanha do Maranhão, todo festivo com os periquitos fazendo alarde e derrubando castanhas bicadas. E dizem que roça é lugar de silêncio... Vai dizer isso para esses pássaros barulhentos que surgem do nada e vão não sei para onde...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FRICASSÊ DE FRANGO

Em uma panela de pressão, coloquei duas colheres (sopa) de óleo, onde deixei queimar duas rodelas finas de cebola e refoguei dois peitos de frango. Acrescentei uma colher (sopa, rasa) do meu tempero e, depois de refogar bem e secar todo o líquido que fluiu, acrescentei um copo (americano) de água bem quente. Tampei e esperei pegar pressão pra marcar o tempo de cozimento. Fogo baixo, oito minutinhos. Deixei esfriar, desfiei e reservei.
Aí, pus pra bater, no liquidificador, os conteúdos de uma lata de creme de leite, uma lata de milho verde (com a água temperada que vem junto) e um copo de requeijão cremoso. Também reservei.
Em seguida, refoguei o frango que eu tinha desfiado em duas colheres (sopa) de óleo, uma cebola batidinha e cortada bem fininha, o conteúdo de um vidrinho de 100 gramas de azeitonas sem caroço e o creme do liquidificador. Enquanto mexia e esperava ficar com uma textura mais espessa, experimentei o tempero e acrescentei mais um pouquinho de sal.
Despejei em uma travessa refratária, cobri com fatias de queijo prato e espalhei cem gramas de batata palha sobre. Aí levei ao forno pré-aquecido e esperei começar a borbulhar. Servi os meus, e servi-me, com arroz branco.
Sem tempo para tecer comentários, pois saborear dá trabalho...
Se não fosse a sensação de saciedade e a lembrança do prazer de comer o que traz prazer, poderia explorar, na memória, outras situações parecidas com esta...
Sítio Rosa Mística, 31 de julho de 2009

SÍTIO ROSA MÍSTICA


O nome dado ao lugar onde moramos, há quase 29 anos, tem inspiração em Nossa Senhora. Na Sua fase de gestação do Filho de Deus, recebeu esta denominação: Rosa Mística. Érico Veríssimo foi quem a apresentou a esta leitora que, desde cedo encontrou a felicidade nas páginas onde moram personagens inesquecíveis. Eta vidinha mais ou menos esta de quem gosta de romances e incorpora passagens marcantes nascidas na imaginação de gênios... Persiste a sensação de que a felicidade está guardada lá, junto com os personagens... Basta reler. Nem é preciso varinha de condão...

EMPANADO DE FILÉ DE TILÁPIA

Comprei um quilo de filé de tilápia, cortei em pedaços menores, e temperei com uma colher (sopa) do meu tempero mais o caldo de uma laranja. Mexi para incorporar o tempero por igual e reservei. Atualmente, evito fazer frituras. Antigamente, não me preocupava com o fato de não ser saudável, pois nem tinha essa consciência. Mas minha intenção é a de fazer empanado, então, tenho de fritar os pedaços de peixe antes. Em uma frigideira, coloquei o equivalente a uma xícara (café) de óleo e, à medida que o óleo esquentava, punha os pedaços dos filés, tendo, antes, passado, levemente, por um pouquinho de farinha de trigo que coloquei em um prato. Bem pouquinho mesmo. Para dar uma secadinha e não espirrar na hora de fritar. Se exagerar, aparece o gosto da farinha e é bem desagradável. À proporção que fritava, acrescentava óleo e acrescentava farinha.
Depois de todos os pedaços fritos, reservei, enquanto fazia a massa para o empanado. Pus uma clara de ovo no liquidificador e acrescentei 150 ml de água; uma colher (sopa) de óleo; duas colheres (sopa) de amido de milho; uma pitada de sal; uma colher (sopa, rasa) de açúcar; uma xícara (chá) de farinha de trigo e uma colher (café, bem rasa) de fermento em pó. Bati até perceber que misturou por igual e despejei em uma travessa que coloquei sobre o fogão, ao lado da frigideira onde vou fritar o empanado. Nem precisei lavar a frigideira. Despejei o restinho de óleo no lixinho de molhados (depois vai para o galinheiro onde as galinhas fazem a festa), passei, no fundo, uma folha de papel toalha e a frigideira ficou prontinha para o uso. Desta vez, pus mais óleo, o equivalente a um copo e meio (americano), pois a fritura do empanado exige imersão.

À proporção que, com uma colher, apanhava um pedaço do peixe frito, mergulhava-o na massa e levava-o à frigideira, pensava em como é bom ver a cara de felicidade da turma, quando chega para o almoço e descobre que tem empanado... Ô dó... Se tiver alguém com a intenção de só beliscar, de leve, pode esquecer. Ninguém resiste. Ainda mais se tiver o molho agridoce. Aí, a felicidade é completa! Sem sobrar lugar pra remorso...
Sítio Rosa Mística, 12 de outubro de 2010

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

FRICASSÊ DE BACALHAU E CAMARÃO

Comprei meio quilo de bacalhau (daquele que vem em lascas) e um quilo de camarão já limpo para fazer esta receita que é um sucesso.
À noitinha, por volta de 19 horas, coloquei o bacalhau de molho, dentro da geladeira, e fui trocando a água por quatro vezes, de um dia para o outro. Escorri o bacalhau e refoguei-o em meia xícara (café) de azeite, até dar uma fritadinha. Acrescentei cebola em rodelas. Depois de frito, despejei em uma forma pirex e reservei.
Espremi o caldo de três limões sobre o camarão já lavado e vistoriado (às vezes acontece de não estarem bem limpos) e esperei uns cinco minutinhos, antes de escorrê-los (importante para que os camarões fiquem com aquela cor rosa assim que se começa a refogá-los). Aí, refoguei-os em meia xícara (café) de azeite e umas rodelas de cebola. Rapidinho, criou um caldo excessivo que despejei no liquidificador. Sem tanto caldo, em poucos minutos o camarão já estava fritando (tem q desligar logo o fogo, ou então o camarão endurece). Joguei esses camarões sobre o bacalhau que estava reservado lá na forma pirex e voltei ao liquidificador, onde despejei o milho de uma lata pequena de conserva (sem a água), além de um pacotinho de creme-de-leite e o conteúdo de um copo de requeijão cremoso. Liguei o liquidificador e esperei processar. Foi rápido (uns dois minutinhos) porque o caldo que excedeu do camarão facilitou essa mistura. Enquanto escrevo, lembro-me do sabor maravilhoso desse prato que pode ser servido só com arroz! Grande pedida! Uma maneira de provar pra si mesmo que a felicidade existe e pode ser compartilhada...
Aí passei a montar o prato. Peguei a pirex que havia reservado, com os camarões e o bacalhau, e despejei o conteúdo do liquidificador sobre tudo. Por cima, espalhei meio pacotinho de batata palha e umas fatias de queijo prato. Levei ao forno pré-aquecido (180 graus) e esperei começar a borbulhar, evidenciando fervura. Pronto! Meu desafio é saber quanto comer pra não ficar arrependida... Afinal, até os bons momentos precisam contar com nossa capacidade de usar o freio...
Sítio Rosa Mística, 13 de maio de 2010

ESCALDADO

Quando nada para no estômago e a fraqueza é constante, é preciso fazer malabarismo com a memória pra lembrar de algum prato que pode apetecer e reforçar o estômago pra que o doente volte a saborear os alimentos. Essa é a hora apropriada pro escaldado. São muitas as variáveis. Minha versão predileta é a mais simples. Faço com milharina. O ideal seria ter alguém pra fazer o escaldado pro doente só saborear... Mas, qual! A alegria por estar com vontade de comer já é o ganho maior do dia! Pego uma panela pequena e derreto uma colher (sopa) de margarina e meio tablete de caldo de galinha e acrescento cinco colheres de milharina. Vou mexendo, em fogo brando, pra dar aquele gostinho de milho torrado. Ao lado, sobre outra chama, água fervente (dois copos). Assim que percebo que, se bobear queima, vou despejando a água, devagar, mexendo sempre. Gosto bem ralo. Pra tomar às colheradas, enquanto penso em como a vida é gloriosa e que a dádiva maior que recebemos dela é não saber a data de validade. À proporção que melhoro, faço uma versão de escaldado mais metido a besta: acrescento ovo. Faço tudo igual, com a diferença que, antes de desligar, jogo um ovo e mexo um pouquinho mais e desligo. Cura até trauma de infância!
Sítio Rosa Mística,3 de abril de 2009

SALADA DE PEPINO

Uma salada é uma grande pedida. Pra mim, é imprescindível. Torna a vida mas saborosa e influi até no humor. Lavo e raspo a casca (não retiro muita casca, porque ajuda na digestão) de três pepinos do tipo que chamam japonês e corto-os em rodelas. Acrescento mais rodelas, agora de duas cebolas pequenas, mais uma colher (sopa) de açúcar e meia xícara (chá) de shoyu (quem gosta, põe cebolinha picada). Mexo bem e deixo descansar, enquanto faço o arroz.. Arroz, pepino e suco de limão. Grande pedida. Principalmente, por ter abusado da carne, na refeição anterior.
Sítio Rosa Mística,3 de maio de 2010