quarta-feira, 1 de junho de 2011

TORRADAS COM SABOR

Cortei oito pães ‘dormidos’ em rodelas não muito finas e passei-as, levemente, por uma mistura (molhei apenas um dos lados) que fiz, com antecedência: uma xícara (café) de azeite de oliva, duas colheres (sopa, cheia) de margarina derretida, duas colheres (sopa) de molho de pimenta, uma colher (sopa) de orégano e uma colher (café) do meu tempero (quem gosta, acrescenta molho de alho). A seguir, dispus as fatias em assadeira, ‘em pé’, uma apoiada na outra, de maneira que o lado que passei pela mistura encontre a parte seca da outra rodela. E levei pra tostar, em forno pré-aquecido, a duzentos graus, por dez minutos. Essas torradas são saboroso acompanhamento.

OMELETE DE QUEIJO

Dando sequência a minha pretensão de atrair o iniciante na arte de satisfazer o estômago, segue uma receita simples...

OMELETE DE QUEIJO

Quebrei três ovos, mexi bem e acrescentei uma pitadinha de sal. Mexi mais e despejei na frigideira pré-aquecida, contendo meia colher (sopa) de óleo de soja, meia colher (sopa) de margarina e meia cebola em tirinhas. Espalhei os ovos batidos, apenas movendo a frigideira. Assim que percebi que já estava bem frito de um lado, virei a omelete, para fritar o outro lado, e dispus três fatias de queijo prato sobre metade da omelete, dobrando, em seguida, a outra metade sobre o queijo. Omelete, aqui em casa, é feita para mais de uma pessoa. Porque se for um agrado individual, a pedida é um ovo frito, no capricho. Coisa simples de fazer, que nos faz pensar que a vida pode ser mais fácil, desde que nós a simplifiquemos...

SUGESTÃO DE CARDÁPIO SEMANAL

segunda-feira
arroz, feijão, bife à milanesa, abobrinha refogada, salada de alface, farofa de cenoura, queijo frito
terça-feira
arroz, feijão, chuchu refogado, banana marmelo frita, lombo fingido, salada de couve-flor, purê de batata
quarta-feira
arroz, feijão, empanado de frango, quibebe de mandioca, farofa de alho, salada de repolho e tomate, omelete de queijo
quinta-feira
arroz, feijão, carne (músculo) cozida, batatinhas nevadas, torradas com sabor, salada de couve, pepino no shoyu
sexta-feira
arroz, feijão, peixada ao sugo, purê de batatinha, milho verde refogado, salada de couve, molho de ovo
sábado
arroz, feijão, fricassê de frango, salada de jiló, farofinha de cuscus, salada de tomate, curau (angu) de milho verde

sábado, 7 de maio de 2011

CASCUDO

Misturei um copo (americano) de polvilho doce (o azedo serve do mesmo jeito) e um de fubá de canjica. Ganhei esta receita da minha concunhada, a Altamira, que é quitandeira de mão cheia. Tem um probleminha na sua execução: só presta fazer com fubá de canjica e trata-se de um ingrediente difícil de achar... É um fubá especial, bem fininho. Para fazê-lo, o milho é moído num sistema que utiliza pedras em atrito e os grãos são esmagados entre essas pedras. Vira um pozinho muito fino, de agradável toque (lembra a textura da maisena). São duas as receitas que faço com esse fubá (a outra é uma rosquinha maravilhosa chamada sequilho). Sempre que o tenho, uso logo, pois ele estraga fácil. E tem que ser conservado na geladeira. Ô fubazinho exibido! Casas que vendem produtos de roça costumam tê-lo. Também já o encontrei em feira. Acrescentei um copo (menos dois dedos) de óleo frio e mexi. Aí, amoleci com três ovos grandes e amassei com duas colheres (sopa) de açúcar e uma (de café) de sal. Passei a amassar com as mãos, bastantes vezes, pra eliminar o cheiro de ovo. A massa estava meio dura e é preciso fazê-la mais mole ... acrescentei dois ovos. Ficou no ponto que exige a mão untada pra enrolar. Enrolei e pus pra assar em forno pré-aquecido, bem quente mesmo, a duzentos e cinquenta graus. Enquanto esperava assar, aproveitei pra dar uma ajeitada na cozinha, tentando melhorar um pouquinho o aspecto de casa da mãe Joana que toma conta do pedaço... Ando entediada com arrumações! Será que é por ser só eu a arrumar e um tanto de ‘desajudantes’ a bagunçar? É casa de avó! Tudo pode! Assim que a primeira assadeira de cascudo ficou pronta, experimentei, com muito empenho, três deles, antes de concluir que ficaram, sim, dignos da dona da receita. Ficaram no capricho: gostosos, leves e crocantes! Para ficar perfeito, servi-me de um suquinho de abacaxi, bem geladinho e relaxei... Quem nasceu pra gata borralheira e não é personagem de conto de fadas, tem mais é que desempenhar seu papel a contento ... sem esquecer que também é filha de Deus! Trabalhar, sim! Relaxar e saborear, sempre!
04 de maio de 2009

sábado, 23 de abril de 2011

MILHO VERDE REFOGADO

Taí uma receita simples que oferece resultado maravilhoso! Tem gosto de infância em tempo de férias! Porque sou do tempo quando colheita de milho verde dependia de chuva; e férias escolares começavam dia primeiro de dezembro. Nosso quintal tinha manga, uva, laranja, goiaba e caju. E o quintal do lado, da casa do meu avô, tinha milho em ponto de colheita e promessas de gostosuras. Hoje, basta querer que se encontra milho verde pronto pra ser consumido. Mas, o gosto não é tão presente e marcante quanto o do milho que se colhe na hora. Para que o resultado seja agradável, é preciso ter cuidado pra não comprar milho embalado há muitos dias. Costumo furar, com o dedo indicador, o plástico daquelas bandejinhas que acondicionam as espigas descascadas e cheiro pra sentir se já está começando a passar do ponto de aceitável.
Apesar de morar em chácara onde se planta couve-flor, tomate, abobrinha, repolho... não tenho o privilégio de poder ter milho verde... então, compro... fazer o quê?
Escolhi dez espigas de milho que cortei (quanto mais molinho, melhor) com faca afiada, longe do sabugo e, ao final, raspei o que ficou (se cortar rente ao sabugo, ao mastigar, dá sensação desagradável de duro e o gostoso é o milho que se mastiga sem resistência) e reservei.
Na panela, coloquei uma colher (sopa) de óleo de soja e uma (sopa, cheia) de manteiga e esperei esquentar pra acrescentar uma colher (café, rasa) de açafrão, um caldo de galinha, uma colher (sobremesa) de açúcar e o milho cortado (necessariamente, nessa ordem). Mexi o tempo todo e não precisei acrescentar água. Se o milho não estivesse tão molinho, a água seria necessária (pouca e aos poucos), além de observar cozimento mais demorado. Experimentei e achei meio sem sal. Acrescentei meia colher (café) do meu tempero e o equivalente a uma colher (sopa) de cebola batidinha e cortada fininha, antes de desligar o fogo e considerar que está no ponto. Arroz branco novinho e milho verde assim fazem o par perfeito! Porque eu me amo e vivo pra ser feliz, acrescentar um bife mal passado e uma saladinha de tomate é uma prerrogativa que concretizo; pois sei que mereço alcançar aquele estágio de satisfação que mantém o sorriso no olhar, refletindo a alegria do coração...

FAROFINHA DE CUSCUZ

A tal milharina faz bem seu papel quando o assunto é cuscuz, mas, para esta receita, prefiro o flocão. É mais encorpado! Medi duas xícaras (chá) de flocão e utilizei uma xícara de água morna para umedecer a mistura, mexendo com a ponta dos dedos. Deixei descansar uns três minutos. Chamo de cuscuz só esse ingrediente que se cozinha na cuscuzeira. Nada de elaborado, como é comum na cozinha paulista. Sei que está cozido porque o cheiro se espalha pela cozinha... Retirei o cuscuz e reservei. Numa panela, refoguei, em duas colheres de óleo de soja, duzentos gramas de bacon picado, em tirinhas; uma cebola média batidinha e picada fininha; uma colher (café, rasa) de açúcar; uma colher (sopa, rasa) do meu tempero e uma colher (sopa) de azeite. Assim que fritou, desliguei o fogo e acrescentei o cuscuz, mexendo bem para incorporar os ingredientes. Pronto (se gostar, fica melhor ainda com cheiro verde picado, só jogado por cima)! É farofa perfeita pra acompanhar peixe frito ou assado. Essa receita remete meus pensamentos a momentos agradáveis, quando saborear e papear fazem a vida ter mais colorido. Porque uma farofinha com peixe e arroz branco pedem uma família reunida e muita conversa jogada fora...

FAROFA DE CEBOLA E ALHO

Aprendi esta receita em uma das minhas pescarias de amadora eterna aprendiz... É melhor comprar alho já descascado, pois a relação entre quem faz a farofa e o alho a ser manipulado é tenebrosa (detesto alho e não ter de descascá-lo pode ser uma alternativa feliz!). Para esta receita, o alho tem de ser cortado em tirinhas e a cebola em cubinhos. Não vale usar processador. Cortar um quilo de alho e um quilo de cebola, não é pra qualquer um, não!. Tudo bem pequenininho. Assim que acabei de picar os ingredientes e de chorar todas as lágrimas armazenadas desde o século passado (não adiantou ficar de óculos, nem por água na boca, nem usar máscara, nem sair de casa e cortar contra o vento... a fedentina se espalhou e entranhou na minha alma), tirei uma folga para exorcizar minhas mágoas e deitei-me na rede que fica na área externa, sob uma mangueira, procurando respirar o mais profundamente que pude, tentando afastar de mim a sensação de ter virado uma galinha temperada em vinha d’alho.... É preciso fazer este tipo de receita de vez em quando (uma vez a cada década, pelo menos, para funcionar como um depurativo espiritual... Mas não dá pra ter pensamentos puros depois de tais atividades... É nestes momentos que minha personalidade agradável tira uma folguinha... Cochilei e, graças aos meus anjos protetores, não retive sonhos (detesto lembrar-me de sonhos, acho uma perda de tempo!). Acordei pronta pra enfrentar a segunda etapa da empreitada. Não sou das que desistem! Numa panela, coloquei um copo (americano) de óleo de soja e cinco colheres (sopa) de margarina, pra esquentar bem, e despejei as tirinhas e os cubinhos, pra fritar. Acrescentei sal (uma colher de sopa, bem cheia) e uma colher (sopa) de açúcar. Quase queimou! É assim mesmo! Desliguei o fogo e despejei, mexendo bem, um quilo de farinha de mandioca torradinha. Pus a filha pra experimentar se ficou boa de sal. Só faço a receita, não provo. Aprendi a fazer esta receita com quem a inventou: a Oneida, lá de Minaçu, em Goiás. A danadinha serviu a farofa com pirarucu frito, arroz e purê de batatas. Comi até quase pedir padiola, como dizem os goianos. Sem nem sonhar que comia alho! Aí veio a pergunta do marido dela, pra mim: “você consegue identificar os ingredientes dessa farofa?” Eu já estava com a sensação de ter comido o peixe com escamas e espinhas, e arrependida de ter nascido, mas mantive-me displicente e tranquila, na superfície... “É de alho”, foi a resposta que ela mesma, em pessoa e sorridentemente deu. Nem de longe eu conseguiria adivinhar quem ou o quê fazia parte daquela iguaria... Pense numa criatura que quase morreu! Não na hora, no dia seguinte. Fiquei com a certeza - absoluta e certa - que tentaram matar-me, de maneira graciosa e gentil... Despedi-me deles, aparentando ter sobrevivido, mas passei mal durante todo o trajeto de uns seiscentos quilômetros até Brasília. No meu raciocínio embotado pelo mal estar, prostração corporal, pela dor de cabeça e pela dor queimando meu estômago, eu tinha certeza que minha vesícula estava paralisada e que meu estômago era uma fogueira filial do inferno. Não morri, óbvio! Mas passei bem perto... Minha alergia a alho deixa-me com dor de cabeça de três dias, no mínimo... A tal farofa é famosa por lá e não se tem notícia de nenhum defunto resultante da experiência de tê-la ingerido. Acho eu, olhando agora à distância, sob uma perspectiva empírica, que me faltou a sabedoria de ingerir, como antídoto, os líquidos à base de álcool tão comuns na cultura de apreciadores de pescarias... Constato que sou uma pescadora falsa: nem beber eu sei! Mas insisto em pescar...