quarta-feira, 6 de junho de 2012

BOLINHO DE ARROZ

Atendendo a pedido, acabou de sair... Tá servido(a)?
Fácil de fazer, bolinho de arroz é grande pedida, e tem gosto de infância! Sobrou arroz? Então tem bolinho feito no liquidificador... Bati três ovos, meia cebola média picada e uma pitadinha de sal. Acrescentei três xícaras (chá) de arroz cozido. Bati, inicialmente, e passei para o pulsar. Ligava o pulsar, desligava, mexia com colher... Repeti a operação quatro vezes, aí percebi que os ingredientes estavam incorporados. Adicionei uma xícara (chá) de queijo tipo Minas, ralado, e mexi mais um pouco. Experimentei pra saber se seria necessário acrescentar sal. Não precisou. Óleo na panela, fogo ligado, parti pra fritura. À proporção que enrolava os bolinhos, colocava-os no óleo. Depois de fritar, um lado de cada vez, retirei-os e pus sobre guardanapos de papel, para secar o excesso de óleo. Rendeu vinte e três bolinhos, desfalcados, de cara, pela Juju que devorou dois, antes do almoço. Existem algumas outras opções para dar mais sabor aos bolinhos: acrescentar cebolinha picada (antes de enrolar na mão e pôr pra fritar); passar no ovo batido e na farinha de rosca, antes de pôr pra fritar... Acho saboroso do jeito mais simples.

terça-feira, 5 de junho de 2012

BOLINHO DE MANDIOCA

                     
Mandioca me remete ao primeiro livro de história, na época da minha alfabetização. O livro trazia a lenda desta raiz poderosa. O tema era a cultura indígena. Lembro-me que tinha uma coisa com palavras: mani, maniva, manioca... Fico repetindo, mentalmente, estas palavras, sempre que lido com mandioca. Depois, descobri que a avó materna da minha mãe era uma indígena, que se chamava Percília. Sinto constrangimento por saber pouco sobre ela. Não conheci nem uma avó. Convivi, de perto, com duas bisavós, duas Nonas: a Henriqueta e a Rosa. E, certa vez, uma vezinha só, vi essa bisavó indígena, que morava em Guaíra, interior de São Paulo. Lembro-me de termos quase a mesma altura. Eu devia ter uns oito anos. É nela que penso quando invento de fazer alguma coisa com mandioca... Ontem, eu a servi cozida na água e sal (uma pitadinha de açafrão e todo mundo acha que é da amarela) e, hoje, com as sobras, vou fazer bolinho. Em homenagem à avó Percília, que era caladinha, muito tímida, e não olhava as pessoas nos olhos...
No liquidificador, pus o equivalente a meio quilo de mandioca cozida (mais da metade do copo) e escorrida. Acrescentei três ovos. Mexi com colher de pau, aí liguei o pulsar, desliguei, mexi, tornei a ligar... e repeti o procedimento mais quatro vezes. Acrescentei uma xícara (chá) de queijo tipo Minas, ralado, e voltei a mexer. A massa ficou meio mole. Posso optar: ou frito bolinhos assim às colheradas; ou acrescento farinha de trigo, que melhora a liga, dando o ponto de enrolar os bolinhos, com as mãos... Aí, então, frito-os... Optei pela segunda maneira. Adicionei farinha de trigo, devagar, à proporção que mexia e percebia se o ponto estava bom. Foram necessárias duas colheres (sopa, rasa) de farinha de trigo. Ficou fácil enrolar e fritar... Assim enrolados à mão, ficam mais convidativos, incitando o paladar... Gosto com molho agridoce. Agora, assim satisfeita, só falta descobrir que tenho antepassado chinês...

domingo, 4 de março de 2012

ANTEPASTO DE BERINJELA

Guardada na geladeira, já durou mês, esta delícia que aprendi a fazer com uma das minhas melhores amigas, a Vera Suguri, fiel companheira de jornada, a quem devoto muita admiração. Muitos são os motivos que fazem esta amizade ser eterna. Por causa dela, e das suas qualidades, sou mais exigente com a maneira como gasto meu tempo. Ninguém a supera em dedicação em relação a tudo que faz. Foi em uma festa de aniversário dela, quando também inaugurou sua nova casa, uma mansão, que serviu este antepasto. Passou a receita por telefone. Nunca se negou a dividir as suas receitas. Ensina com gosto. Entendi que, por ser descendente de oriental, assimilou com tanta facilidade tudo que produz, na cozinha, que sente prazer em compartilhar. Quase chego perto... Mais uns quarenta e dois anos de convivência e, talvez, possa considerar-me discípula dela. Vamos lá... Cortei, depois de retirar a parte do talo, em tirinhas fininhas, três berinjelas (o equivalente a meio quilo). Utilizei duas colheres (de sopa, cheia) e meio copo (americano) de vinagre, para temperar, antes de levar à geladeira, em vasilha de vidro, com tampa. Deixei descansar de um dia para o outro. Aí, escorri o líquido e despejei a berinjela fatiada em uma peneira, que dispus sobre a mesma vasilha de vidro e levei para a geladeira, para continuar o processo de retirada do líquido. Mais um dia de paciência. Só então, preparei-me para fazer o refogado. Cortei, em tirinhas fininhas, três tomates verdes (retirei as sementes); duas cebolas grandes; cem gramas de azeitonas; um pimentão verde, um amarelo e um vermelho (sem as sementes); duas pimentas vermelhas (dedo-de-moça, sem as sementes) e refoguei em uma panela com um copo (americano) de azeite extra-virgem (acho importante esperar até que o azeite fique bem quente, antes de despejar os ingredientes, ou cria água e não fica ao dente), mexendo, de vez em quando, conforme percebia que quase grudava no fundo da panela. Assim que o refogado ficou quase sem líquido, dando pra perceber o azeite, no fundo da panela, acrescentei uma xícara (café) de açúcar, duas colheres de orégano e a berinjela (que retirei da geladeira assim que comecei a cortar os ingredientes, para ficar na temperatura ambiente, apropriada a um refogado). Mexi e experimentei. Acrescentei um pouquinho de sal, pois gosto mais salgadinho. Quando percebi que ficou pronto, desliguei o fogo, despejei o antepasto em vidros (deixei pra colocar a tampa depois de frio, quando, então, levo à geladeira)... E fiz a festa com a panela, onde deixei uma certa quantidade pra saborear com um pão francês. Adoro! É neste momento que revisito minhas memórias direcionadas para um tempo passado, de felicidade, aprendizagem e pertencimento, tendo minha amiga Vera como protagonista e personagem importante da minha história. Amiga amada, mesmo à distância, é solidária em tempos de atenção e alerta máximos, e é um coração bastante acolhedor. Desde 1970, quando nos encontramos em uma sala de aula, cursando Letras na UnB.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

OMELETE DA MANHÃ

Com esta chuvarada, só mesmo um pensamento positivo, de sustância, concreto, para me fazer sair da cama. O de hoje foi perfeito: comer uma deliciosa omelete (minha Nona dizia omeleta). Num prato fundo, quebrei três ovos, mexi levemente, com um garfo, acrescentei uma pitada de sal e meia xícara (chá) de leite. No fogo, pus a frigideira antiaderente, um fiozinho de óleo e mexi muito pouco; o suficiente para não queimar e ficar uma massa fofa. Cuidei para não passar do ponto de comer com pão, aos pedaços, levando os dois, casadinhos, à boca (assim com a mão, na roça, pode... desde que não estique o dedo mindinho pra parecer que é fina!)... Dedão do pé quebrado, estripulias adiadas (por enquanto) nada como um livro e um cobertor para que o sofá seja só aconchego...
Sítio Rosa Mística, 12 de janeiro de 2012

ARROZ COM CHARQUE

Sou fissurada em arroz! Dia desses, recebi um e-mail com um link pra mil maneiras de fazer arroz. Consegui excluir, antes de abrir. E fui à lixeira e mandei pro espaço, antes que o arrependimento batesse... Se mergulho num link desses, nunca mais faço arroz branco! Essa mania de achar que posso incorporar outras coisinhas ao arroz vem da infância, com certeza. Do ‘cozinhadinho’ que fazia na minha panelinha de alumínio batido... Era a glória! Tudo tinha que caber nela. Minha mãe provia os ingredientes e ficava de olho. Geralmente, era arroz, um bife que eu picava em pedaços pequenos, cenoura, chuchu, batatinha, sal e óleo. O fogo era de gravetos e a panelinha ficava sobre tijolos. Que delícia! Guardo na memória, até hoje, o sabor da fumaça no arroz e a alegria de comer algo feito por mim, para mim... Não sei mais fazer arroz com gosto de fumaça... Mas, aprendi a fazer um arroz com charque, que fica uma delícia. Comprei um pacotinho de charque, daqueles do mercado, piquei a carne em pedaços miúdos, pus na água que troquei cinco vezes, escorri a água e despejei na panela de pressão onde, antes, refoguei uma cebola batidinha em duas colheres (sopa) de óleo. Fechei a panela, depois de acrescentar dois copos (americano) de água quente e deixei cozinhar por dez minutos. Acrescentei dez tomates maduros picados, uma cebola batidinha e uma colher (sobremesa) de açúcar e deixei cozinhando até o tomate amolecer, sem desmanchar. Experimentei o sal. Estava meio salgado. Então fiz o arroz (duas medidas, copo americano) quase sem tempero. Acrescentei a carne ao arroz quando estava quase pronto, mexendo levemente. Por cima, joguei cebolinha picada e queijo parmesão ralado. Parece o arroz de carreteiro. Mas o diferente é o tomate... A primeira vez que comi arroz feito assim, foi na casa da minha amiga Vera Suguri, uma mocinha arretada, uma faz-tudo, que é uma cozinheira sem igual. Este arroz, mais uma saladinha de alface (temperada com limão, sal e azeite) e omelete de jiló nada ficam a dever ao prazer de um almoço de categoria. Principalmente, se for feito na primeira semana de janeiro, depois de tantos excessos (assados e gratinados e sobremesas e frutas).

FRITADA DE MILHO VERDE

No meu tempo de criança, as férias de janeiro eram mais deliciosas por causa do milho verde e das mágicas que minha mãe fazia com ele. Hoje, para nossa alegria, tem milho verde pra todo lado, durante o ano inteiro, graças à irrigação nas plantações. É janeiro e me deu vontade de comer fritada com milho verde! Enquanto cortava o milho de seis espigas, só lembranças boas tomaram conta do meu pensamento e aqueceram meu coração. Tive o cuidado de reservar o equivalente a um terço desse milho cortado, antes de levar os grãos restantes ao liquidificador, juntando meia xícara (chá) de farinha de trigo, meia cebola cortada em rodelas finas, dois ovos, quatro colheres (sopa) de queijo Minas ralado, uma colher (sopa) de açúcar, meia colher (sopa) do meu tempero e uma colher (café, rasa) de pó-royal. Liguei o liquidificador e não deixei bater muito, porque costuma dar gosto amargo à massa. Despejei essa mistura numa travessa, acrescentei o milho cortado que havia reservado e mexi com uma colher. Experimentei a massa para saber se punha mais sal. Esse resultado depende muito do sal do queijo. Coloquei mais, pois achei que mais um punhadinho de sal daria mais sabor. Normalmente, minha pressão é baixa. Daí essa tendência a carregar no sal. Em dias de sol e calor, refreio essa vontade. Pra quem gosta de cheiro-verde, a hora de misturá-lo à massa, cortadinho fininho, é esta, antes de fritar. Fritei, às colheradas, em frigideira antiaderente, com pouco óleo, mas bem quente, pra não encharcar a massa. Deixava fritar de um lado e virava do outro. E já fui servindo nos pratos dos apreciadores, porque assim, quentinho, na hora, é muito mais saboroso. Frituras não deviam fazer mal! Acho injusto que tudo que é maravilhoso, na cozinha, é frito e faz mal! Detesto injustiça! Mas, viva a saúde! Portanto, só se deve comer fritada de milho, de vez em quando...

AMEIXA DE QUEIJO


Consta, na Bíblia, o livro dos livros, que fazer mágica é pecado. Isso quem falou foi minha atual faxineira. Será?! Então estou em pecado. Quando as pessoas entram na cozinha e resolvem misturar ingredientes e o resultado é mágica, incorre-se em pecado? Isso independe de cor de pele, etnia, ou dialeto? Pois tem hora que um arroz branco com um ovo frito se torna digno de aplausos... É mágica pura! Pois é como mágica que apresento este delicioso doce, a ameixa de queijo. Não é a receita tradicional, pois não tive acesso a ela. Esta eu fui desenvolvendo aos poucos, na base da tentativa e erro e, mesmo quando errava, nada sobrava. Ficou muito parecida com a ameixa de queijo, aquela que, quando se compra, é muito doce, mas muito gostosa. Esta que vou fazer é menos doce e, por ter mais queijo que qualquer outro ingrediente, fica mais saudável (ou menos nociva rsrs). Numa panela grande, coloquei um litro de água e quatro xícaras (chá) de açúcar e pus no fogo, pra virar uma calda meio rala. Enquanto isso, medi os outros ingredientes e coloquei-os em uma bacia: seis xícaras (chá) de queijo Minas ralado, meia cura; duas claras de ovo (grande); um ovo (grande) inteiro; três colheres (chá) de maisena e duas gotas de extrato de baunilha. Amassei, amassei, amassei...No início, parece que está seco demais. Mas, ao incorporar os ingredientes, percebe-se o ponto de enrolar cada ameixa, compridinha e uniformemente lisa. Depois de enrolar todas, percebi que a calda já fervia há uns quinze minutos, então coloquei-as, uma a uma, nessa calda fervente. Ficaram no fogo por quarenta minutos. Não mexi, pois poderiam quebrar-se. Essa é a importância da panela ser grande; assim a calda cobre cada uma das ameixas e, à proporção que ela vai secando, é possível virar cada uma, para que todas fiquem com cor igual, dos dois lados. Quando pareceu que a calda ia queimar, desliguei o fogo e, com uma espumadeira, retirei uma por vez e coloquei pra escorrer em uma peneira larga. Deixei-as esfriar e secar. Renderam cinquenta e uma milagrosas delícias que não foram devoradas num passe de mágica, porque cuidei e distribuí, parcimoniosamente...