quinta-feira, 19 de maio de 2016

BATATA-DOCE FRITA/COZIDA


Tem vezes que mais que uma boa conversa ao pé do ouvido, uma mordida numa rodela de batata-doce tenra e docinha é tão revigorante que dispensa companhia...
Ainda mais se for companhia do tipo que se declara amante do prato simples e tão saboroso! A concorrência pode vir a ser desleal.
Também porque sobrar para depois, pra hora do cafezinho, é grande pedida.
E também porque tem dias que o lado egoísta aflora e dividir chega a ser doído, né?
Pois este é assim, definitivamente, um prato que induz a pecar!
Por egoísmo e gula!
Comprei duas batatas de formato parecido e, enquanto minha panela wok esquentava o conteúdo de meia lata de óleo de soja e, bem do lado, em outra chama, a canequinha esquentava duas xícaras (café) de água, descasquei as batatas e cortei rodelas que se equivalem em tamanho para o cozimento ficar bem uniforme.
Antes que o óleo ficasse quente, quente assim de estar no ponto de espirrar líquido e esfumaçar o ambiente quando em contato com a batata, dispus as rodelas lá nele, arrumadinhas na frigideira invocada... Em seguida, despejei, cuidadosamente, a água bem quente.



É preciso cuidar para que as batatas-doces (o plural também pode ser batatas-doce) fiquem mergulhadas no óleo com água. Se precisar, é só adicionar mais água.
Pus a tampa e fui cuidar de outros pratos. De vez em quando, dava uma olhadinha, pois, conforme a água vai cozendo a batata, também vai secando, dando lugar ao óleo que começa, então, a fazer o papel principal no processo.
Quando percebi que o óleo se sobrepunha à água ainda aparente dentro da minha wok, retirei a tampa e deixei fritar. 


Que experiência agradável essa de ver as rodelas tomando a cor dourada do ponto de retirá-las, dispondo-as sobre guardanapos de papel que vão absorver o óleo excedente. Procedimento perfeito para deixá-las sequinhas e irresistíveis...















Prato ideal para fazer naqueles dias que se tem certeza que não vão aparecer visitas... rsrsr
Mas, se aparecerem, os elogios e os sorrisos vão dar alento e energia pra não ter preguiça de repetir todo o procedimento e voltar a oferecer o prato delicioso, na próxima refeição...      



quarta-feira, 6 de abril de 2016

SOPA COM SABOR DE SAUDADE


Pelo celular, minha irmã ditou, lá do hospital, a última receita.
Minha mãe tinha pedido uma sopa.
Era pouco mais de meio-dia; 17 de abril de 2016.
Naquele dia, minha mãe completava 76 dias de sofrimento, proveniente de uma queda. 
Já se alimentava mal havia bastante tempo. O que ela pedia, eu fazia e levava para o hospital. 
O pedido do dia: uma sopa de tomate. 
Duas xícaras (chá) de feijão recém-cozido, temperado, e em fogo baixo. A esse feijão acrescentei um tomate madurinho partido em cruz e deixei cozinhar.
O tomate amoleceu, desliguei o fogo e levei o conteúdo para o liquidificador. Depois de bater por um minutinho, coei e despejei, na mesma panela, e levei, novamente, ao fogo. 
Acrescentei três punhadinhos de macarrão de sopa, aquele de argolinhas. Mexi, enquanto observava se a água seria suficiente para resultar numa sopa nem rala, nem espessa demais... Pus mais água. Pus mais sal. Pouco antes de desligar, cortei  o equivalente a duas colheres (sopa, rasa) de cebola batidinha (não muito fina), e juntei à sopa. Não deixei cozinhar muito e desliguei. 
Não era pra acrescentar carne.
Experimentei o sal e pus mais uma pitadinha. Minha irmã tinha ditado a receita e desligado. Em seguida, passou mensagem. E escreveu, em caixa-alta: PÕE SAL!
Era minha mãe reforçando que queria sentir o gosto do sal...
Às 15 horas, meu pai e eu chegaríamos ao hospital e ela comeria duas colheradas, na marra, e viraria o rosto pro lado, como a dizer: "Você não fez do jeito que pedi!"
Tadinha! Estava sem paladar...
Só que não fomos! Um acontecimento inesperado nos tirou do rumo...
Por volta de meio-dia e meia, chegaram quatro homens, quatro assaltantes, e levaram, da minha casa, objetos do nosso conforto e lazer; o nosso sossego; e a oportunidade de passar a última tarde da vida da minha mãe ao lado dela.
Porque ela faleceu nesse mesmo dia, faltando dois minutos pra meia-noite...
Meu pai e eu não fomos, portanto, passar a tarde ao lado da minha mãe.
Minha filha levou a sopa, mas minha mãe nem a experimentou, porque demorou pra chegar. E ela havia piorado muito!
Tive o privilégio de contar com a minha mãe por 65 anos, 3 meses e 24 dias da minha vida. Com ela, aprendi a ser quem sou. Tinha que ser de ensinamento a sua última comunicação (indireta) comigo. Sem fôlego, deve ter demorado uns dez minutos pra ditar a receita que minha irmã me passou.
Ela adorava cozinhar!
Tinha um cheiro convidativo e um sabor especial a comida que minha mãe fazia!
Quando eu estiver triste de não ter jeito, vou pra cozinha fazer algum prato que aprendi com ela, e vou sentir o alento da presença marcante dela na minha vida.